28.3.13

A páscoa e a educação

Vários colegas formados e bem preparados desistem da profissão de professor. A grande maioria deles fica frustrada já que não vêem por parte do alunado e de outros setores da comunidade escolar o seu trabalho reconhecido, muitas vezes são sufocados pela "burrocracia" onde o ensino e a aprendizagem fica em 3º ou 4º planos e as papeladas desnecessárias em 1º em uma situação em que alguns serviços sem utilidade sufocam o que realmente é necessário.

Para uma pessoa se firmar como educador e poder desenvolver aquilo que sempre sonhou e que possui vocação é necessário não se preocupar demais com coisas inúteis, não jogar pérolas aos porcos e se concentrar para fazer coisas boas para aqueles que realmente as buscam e reconhecem o valor da educação para a vida em sociedade.

Jesus não agradou a todos, nem todos reconheceram a sua bela mensagem de amor, os líderes da religião da época confundiram a simplicidade da mensagem de boas-novas com o poderio político e não percebiam que o Rei não tinha nenhuma intenção em dominar este mundo mas sim de ensinar o amor que segundo Ele é o maior dos mandamentos, para o homem que busca apenas poder, cargos, dinheiro e status isso é algo irreconhecível e qualquer atitude de amor é mal interpretada.

Você deve estar se perguntando o que isso tem a ver com a educação escolar na atualidade. Jesus apesar de ser puro e estar repleto de boas intenções acabou por ser cruscificado pelo povo insensível e sedento por poder terreno. Um professor cheio de amor e que busca ensinar e educar certamente será cruscificado, tanto pela comunidade escolar como pela sociedade já que ser justo não é o ideal para a sociedade moderna, o que importa, realmente, são os resultados. O professor será cobrado constantemente em exercer o poder do mundo, com grande aparência, muitas vezes deverá até fazer milagres inventando resultados e aprovando alunos que não obtiveram sua aprovação com seus méritos, não dará suas aulas pois terá que preencher milhares de formulários e será sempre o vilão e o responsável pelo não aprendizado daqueles que não estão nem um pouco preocupados com escola e com educação, e se chamar a atenção e punir um sujeito que não quer saber de nada e o desrespeita é porque não possui domínio de turma. Resumindo, o professor está sempre errado até mesmo quando está certo.

Jesus não conseguiu agradar a todos e a sua mensagem de amor não foi imposta, a recebe quem deseja, nunca o livre arbítrio humano foi desrespeitado. Para que sejamos bons educadores devemos fazer a nossa parte e ajudar a quem realmente busca ajuda, os sãos não precisam de remédio, quem precisa são os doentes, é impossível forçar alguém a se interessar por algo, é impossível mudar paradigmas dos sãos que sabem tudo e não estão abertos para aprender novas coisas. 

Se uma alma para Deus vale mais que o mundo inteiro, eu digo que um aluno que se interessa em uma sala de 40 vale mais do que os outros 39, esse é digno do meu trabalho, os demais podem até me cruscificar, a escola pode me cruscificar, a família pode me cruscificar, todos podem me cruscificar que eu trabalharei e me esforçarei para tornar melhor aquele que realmente precisa de remédio. O educador que não pensa desta forma corre um grande risco de ficar frustrado com a profissão e de desistir, a educação tem perdido grandes profissionais devido a isso, isso é lamentável.

Como educadores, o túmulo que nos colocam não nos segura e o desejo ardente de ensinar coisas boas, além do amor que liberta nos faz ressuscitar dia após dia.

Luciano Costa

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