26.2.12

Perigo invisível

Um incômodo vizinho se instalou em Simão Pereira, Km 822 da BR-040. Poderia ser recebido de braços abertos se não fosse por um simples detalhe: é uma usina de reciclagem de lixo, incluindo os perigosos resíduos hospitalares para serem processados, incinerados e expelidos na atmosfera de uma região tranquila e com excelente qualidade de vida. Para piorar, a usina se instalou sem cumprir os trâmites legais, como as licenças prévias (LP) e de instalação (LI), requisitos que antecedem a licença de operação (LO) que foi concedida pelo COPAM - Conselho Estadual de Política Ambiental. Não fossem as ações impetradas pela Câmara Municipal de Simão Pereira e um abaixo-assinado que já obteve quase duas mil assinaturas - num universo de 2.500 habitantes - de cidadãos revoltados com o descaso e a negligência das autoridades ambientais, a Justiça não teria embargado a usina através de uma liminar, cassando, temporariamente, o início de suas atividades. Decisões na esfera judicial não são para ser questionadas. São para ser cumpridas. Mas o que precisa ser exaustivamente divulgado e analisado são os males, diretos e indiretos, visíveis e invisíveis que estarão presentes no dia a dia da região: Simão Pereira, Belmiro Braga, Matias Barbosa, Levy Gasparian e até Juiz de Fora, dependendo da força e da direção dos ventos que passarem pelas chaminés da usina, com capacidade para processar e incinerar 30 toneladas/hora de resíduos de indústrias moveleiras, petroquímicas, metais pesados - como o chumbo - fertilizantes e hospitalares, estes últimos merecedores de cuidados mais que especiais. Sem falar que a contrapartida em número de empregos é mínima: 50 postos de trabalho diretos, segundo depoimento do representante da Ecofire, Jorge Bolivar Rezende, publicado na reportagem veiculada na Tribuna, mas questionado por outras fontes que garantem não chegar a dez. Tudo isso para reciclar o lixo de municípios de outros estados, como o vizinho Rio de Janeiro. Fica aqui um alerta: todos, seja a população de Simão Pereira, sejam seus vizinhos, como Juiz de Fora, serão afetados negativamente com o funcionamento dessa usina. Mesmo dispondo de filtros e processos preventivos e corretivos de análise do ar, o perigo invisível estará entrando pelos pulmões de todos os seres vivos, poluindo inclusive o clima e a água: bens imateriais que a humanidade precisa urgentemente preservar para a sua sobrevivência e a do planeta. Fonte: http://www.tribunademinas.com.br/opini-o/artigo-do-dia/perigo-invisivel-1.1046999

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