25.1.12

REDAÇÃO DE ESTUDANTE CARIOCA VENCE CONCURSO DA UNESCO COM 50.000 PARTICIPANTES

Tema:'Como vencer a pobreza e a desigualdade'
Por Clarice Zeitel Vianna Silva
UFRJ - Universidade Federal do Rio de
Janeiro - Rio de Janeiro - RJ

'PÁTRIA MADRASTA VIL'

Onde já se viu tanto excesso de falta?
Abundância de inexistência...
Exagero de escassez...
Contraditórios?
Então aí está!
O novo nome do nosso país!
Não pode haver sinônimo melhor para BRASIL.
Porque o Brasil nada mais é do que o excesso
de falta de caráter, a abundância de inexistência de solidariedade, o
exagero de escassez de responsabilidade.
O Brasil nada mais é do que uma combinação
mal engendrada - e friamente sistematizada - de contradições.
Há quem diga que 'dos filhos deste solo és
mãe gentil', mas eu digo que não é gentil e, muito menos, mãe.
Pela definição que eu conheço de MÃE, o
Brasil, está mais para madrasta vil.
A minha mãe não 'tapa o sol com a peneira.'
Não me daria, por exemplo, um lugar na
universidade sem ter-me dado uma bela formação básica.
E mesmo há 200 anos atrás não me aboliri a da
escravidão se soubesse que me restaria a liberdade apenas para morrer
de fome. Porque a minha mãe não iria querer me enganar, iludir.
Ela me daria um verdadeiro Pacote que fosse
efetivo na resolução do problema, e que contivesse educação +
liberdade + igualdade. Ela sabe que de nada me adianta ter educação
pela metade, ou tê-la aprisionada pela falta de oportunidade, pela
falta de escolha, acorrentada pela minha voz-nada-ativa.
A minha mãe sabe que eu só vou crescer se a
minha educação gerar liberdade e esta, por fim, igualdade.
Uma segue a outra...
Sem nenhuma contradição!
É disso que o Brasil precisa: mudanças
estruturais, revolucionárias, que quebrem esse sistema-esquema social
montado; mudanças que não sejam hipócritas, mudanças que transformem!
A mudança que nada muda é só mais uma
contradição.
Os governantes (às vezes) dão uns peixinhos,
mas não ensinam a pescar.
E a educação libertadora entra aí.
O povo está tão paralisado pela ignorância
que não sabe a que tem direito.
Não aprendeu o que é ser cidadão.
Porém, ainda nos falta um fator fundamental
para o alcance da igualdade: nossa participação efetiva; as mudanças
dentro do corpo burocrático do Estado não modificam a estrutura.
As classes média e alta - tão
confortavelmente situadas na pirâmide social - terão que fazer mais do
que reclamar (o que só serve mesmo para aliviar nossa culpa)...
Mas estão elas preparadas para isso?
Eu acredito profundamente que só uma
revolução estrutural, feita de dentro pra fora e que não exclua nada
nem ninguém de seus efeitos, possa acabar com a pobreza e desigualdade
no Brasil.
Afinal, de que serve um governo que não
administra?
De que serve uma mãe que não afaga?
E, finalmente, de que serve um Homem que não
se posiciona?
Talvez o sentido de nossa própria existência
esteja ligado, justamente, a um posicionamento perante o mundo como um
todo. Sem egoísmo.
Cada um por todos.
Algumas perguntas, quando auto-indagadas, se
tornam elucidativas.
Pergunte-se: quero ser pobre no Brasil?
Filho de uma mãe gentil ou de uma madrasta vil?
Ser tratado como cidadão ou excluído?
Como gente... Ou como bicho?



Premiada pela UNESCO, Clarice Zeitel Vianna Silva,
26, estudante que termina Faculdade de Direito da UFRJ em julho,
concorreu com outros 50 mil estudantes universitários. Ela acaba de
voltar de Paris, onde recebeu um prêmio da Organização das Nações
Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) por uma redação
sobre 'Como vencer a pobreza e a desigualdade.' A redação de Clarice
intitulada 'Pátria Madrasta Vil', foi incluída num livro, com outros
cem textos selecionados no concurso. A publicação está disponível no
site da Biblioteca Virtual da UNESCO.
Por favor, divulguem.
Aos poucos iremos acordar este "BraSil".

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