3.2.12

Qual é a sua nota?

Uma das coisas que precisam mudar no Brasil urgentemente é a questão da nota escolar ou acadêmica. Não estou dizendo que nada tem valor, mas a forma de avaliar deveria ser diferente.

Nas unidades escolares percebemos alunos fazendo um extremo esforço para "passar de ano" outros nem sequer fazem esforço já que no atual sistema público escolar quase nada se precisa fazer para ser aprovado. A média é baixa (50%) e o ensino na maioria dos casos é nivelado por baixo, desta forma, os melhores são prejudicados já que sabem que não precisam se esforçar tanto diante do sistema falho de avaliação.

Os índices alimentam o sistema. O governo vive de números e não de qualidade, daí o grande "avanço" educacional nas últimas décadas.

Os governos pressionam para reduzir a reprovação e praticamente obrigam os professores a inventar notas que não são reais já que nenhum aluno é aprovado sem a nota.

A solução para este problema é simples, basta fazer uma maior conexão entre o ensino fundamental e médio e o superior aproveitando as notas da educação básica para acesso às melhores universidades e nas seleções de emprego. Desta forma, a provação pode ser até automática (como querem que seja e muitas vezes é de forma camuflada), porém, a nota seria a real, sem maquiar o boletim. No futuro o próprio alunado colheria os frutos de uma vida escolar superficial.

O professor estaria com a consciência tranquila e sem invenções, o alunado conseguiria "passar de ano" e o governo acabaria com a repetência escolar e todos seriam felizes para sempre.

Mas não é bem assim, é preciso maquiar a realidade, é preciso fazer o mundo crer que temos melhorado quando a realidade é outra, enfim, é preciso viver de ilusão, é preciso haver aborrecimento para que os governos sejam felizes.

A questão da nota é tão séria que até mesmo no ensino superior temos este problema. Conheço inúmeros colegas que adoravam jogar poker na hora das aulas, não faziam nada, não sabiam nada, porém tiravam notas altíssimas e hoje colhem os frutos já que não conseguem emprego e muito menos serem aprovados em concursos públicos já que o conhecimento não é sólido.

O ensino precisa ter um sentido, hoje é a nota, o ideal seria o conhecimento, isso explica em parte o fracasso educacional brasileiro. Os índices governamentais não refletem a realidade.

Enquanto a educação for tratada como números e não como formação cidadã a apatia nas instituições de ensino continuará reinando.

É fácil criar números, o difícil é formar cidadãos.

Luciano Costa

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