9.12.10

Ilha de calor em JF

Centro é até 5 graus mais quente do que os bairros.

A diferença de temperatura entre a região central de Juiz de Fora, considerada a mais importante ilha de calor da cidade, e bairros de periferia está aumentando. Conforme estudo do Laboratório de Climatologia e Análise Ambiental da UFJF, o calor observado no termômetro instalado no Colégio Stella Matutina, na Avenida Independência, é até cinco graus mais intenso que o medido no mesmo dia e horário na região da Cidade Alta. O monitoramento foi realizado durante o último mês, e a maior diferença ocorreu por volta das 20h, considerando o horário de verão. Conforme a professora Cássia de Castro Martins Ferreira, coordenadora do laboratório, que é ligado ao Departamento de Geociências, uma série de variáveis explica esse gradiente elevado de temperatura. "É preciso considerar a diferença de altimetria, já que o campus da UFJF fica em um bairro mais alto. Além disso, padrões de apropriação do espaço urbano, como adensamento populacional, índice de verticalização das construções, concentração de tráfego e quantidade de áreas verdes também interferem no microclima."

O pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Lincoln Alves, afirma que o aquecimento continuado nas ilhas de calor é uma tendência mundial. "O fenômeno é mais acelerado em centros de médio e grande porte e impactam diretamente na vida da população. Quem trabalha e mora nestas ilhas sofre com o desconforto térmico. Além do mal-estar provocado pelo excesso de calor, que atrapalha até mesmo o sono, as condições propiciam maior concentração de poluentes, piorando sensivelmente a qualidade do ar." Segundo ele, se as características de urbanização forem mantidas, com impermeabilização do solo e aumento na frota de veículos, associada ao desmatamento, as ilhas de calor se intensificarão cada vez mais. "Existe a tendência de as pessoas deixarem os centros em busca de melhor conforto térmico, mas, a longo prazo, isso implica no deslocamento das ilhas para outras regiões, porque os bairros de atração terão aumento na circulação de veículos e ganharão empreendimentos, comércio e serviços para atender a nova demanda."

Cássia Ferreira explica que a temperatura média de Juiz de Fora era de 18,9 graus há 30 anos e que, na última década, considerada a mais quente da história, houve aumento de 0,2 grau. "O ano de 2002 foi um dos mais quentes na cidade, com temperatura média de 20 graus." A professora afirma que a oscilação de 0,2 grau pode ser considerada reduzida e ainda não interfere em atividades como a agricultura, por exemplo. Ela avalia, porém, que o aquecimento preocupará na medida em que se mantiver. O pesquisador Lincoln Alves, ligado ao Centro de Sistema Terrestre do Inpe, tem a mesma opinião. "Na comparação com as médias do Brasil, cujo aquecimento na década 2001-2010 oscilou de 0,5 grau a 1 grau, a cidade não está em situação preocupante. Porém, mesmo no cenário mais otimista, considerando uma mudança de postura das pessoas e dos governantes, com redução nas taxas de emissão de poluentes, ainda esperamos que o aquecimento se mantenha por mais um tempo."

O meteorologista da Cemig, Ruibran dos Reis, afirma que o aumento das temperaturas médias do planeta implica na maior frequência de eventos extremos, como secas, chuvas, quedas de granizo e rajadas de vento. "Em Juiz de Fora, registramos vendaval recorde de 130 quilômetros por hora em outubro." Segundo ele, outro exemplo deste cenário é o tornado observado no último fim de semana em Uberlândia. "Trata-se de um fenômeno raro, que deve se tornar cada vez mais frequente."





Fonte: Tribuna de Minas

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