13.12.10

Educação Ambiental e Cultura

A complexidade das sociedades humanas está na sua diversidade; somos muitos e tão diferentes na cultura, estilos de vida, condições ambientais, que a nossa percepção de realidade acaba passando por esses filtros... Em nenhuma outra espécie existe tanta variedade entre os indivíduos, porque somos dotados de cultura, grande chave da pluralidade! Embora a gente se sinta, muitas vezes, em meio à Torre de Babel, existem entendimentos que são universais, que nos unem, nos congregam, como a ideia de que nós, seres humanos, somos parte da natureza, que é formada/transformada pela cultura humana.

A maior expressão de educação ambiental está no respeito à diversidade natural e cultural! No entanto, o ponto de equilíbrio fundamental entre os fatores natural (meio ambiente) e cultural (hábito de vida ), dificilmente é alcançado. E o processo histórico é um dos grandes responsáveis por este descompasso.

Para explicar este fato, vamos voltar ao modelo de desenvolvimento adotado pelo Brasil (país continental, plural, com recursos humanos e naturais tão mal distribuídos...): a população, ao migrar do interior para as grandes cidades, deixou para trás sua identidade cultural, seus valores, seus costumes, sua memória... Sem referência cultural, tanto faz se os patrimônios (público ou ambiental) estão sendo ameaçados ou depredados. É como se você não pertencesse àquele universo, como se não fosse seu, e, mais, achamos que a culpa é dos governantes ou das empresas, sem nos perguntarmos qual é a parte que nos cabe neste latifúndio.

Por isso, é muito comum, por exemplo, o desperdício de água em condomínios de taxa única, por que se pensa que como o seu vizinho gasta mais água que você, tudo bem deixar a torneira aberta, ou ainda o mau hábito de jogar lixo nas ruas, se esquivando da responsabilidade da manutenção das vias públicas limpas, e por aí se vai, pisando em jardins, pichando patrimônios público. Toda esta alienação cultural se reflete diretamente na nossa qualidade ambiental e social, atual e futura.

O desafio está no resgate da nossa memória viva, essencial à formação de identidade cultural com o lugar em que vivemos, buscando sempre um elo de ligação com nossas origens (sem referencial, não existe espírito crítico/transformador)... Daí a importância da expressão Sankofa, de origem africana: "nunca é tarde para voltar e apanhar aquilo que ficou para trás..."

A partir desse movimento, é possível construir novas formas de pensar e agir, nos identificarmos como elemento fundamental para a mudança que queremos: um contexto onde natureza e cultura se interrelacionam holística e harmonicamente, refletindo em um mundo mais pacífico, fraterno e ecológico!

Abraços verdes!!

Autora: Cecília Junqueira

Fonte: Acessa.com

Um comentário:

Pensamento em Pauta disse...

Muito bom. Gostei muito do seu blog...
Olhe o meu: http://pensamentoempauta.wordpress.com/

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