7.6.10

Um novo conflito entre as Coréias?

Faz parte de nossa História Contemporânea, a famosa Guerra da Coréia (1950 – 1953), no contexto da Guerra Fria, dividiu o país, que tentava se afirmar, por um lado, como um regime de caráter socialista; e, por outro, buscava se aproximar das políticas ocidentais e capitalistas. O episódio representava a tentativa do controle pleno das duas maiores potências do planeta naquela altura, EUA e URSS, sobre pequenas nações recém-saídas da dependência das antigas potências imperialistas que haviam entrado em uma crise conjuntural após a Segunda Guerra, especialmente Inglaterra e França.

O cenário geopolítico internacional está vivendo tensões semelhantes ao da época do “grande medo” existente dos anos 50 até a Queda do Muro de Berlim, em 1989. E, mais uma vez, envolve a Coréia e os interesses norte-americanos em continuar conduzindo projetos econômicos neoliberais numa zona de conflitos e antagonismos políticos.

No último mês de março, uma corveta (uma espécie de navio militar) sul-coreana foi alvejada e afundou nas águas coreanas, provocando a morte de 46 marinheiros. A Coréia do Sul, irritada, acusou o vizinho malvado e apresentou um relatório à ONU comprovando que um submarino norte-coreano havia alvejado a corveta. Imediatamente as tensões foram reativadas, trazendo numa memória marcada por uma guerra antiga, a possibilidade de um novo conflito armado entre os dois países. E a Coréia do Norte nega veementemente a acusação.

Os EUA, aliados e mandatários das relações econômicas sul-coreanas, e que também possuem cerca de 28.000 soldados instalados em bases americanas na própria Coréia do Sul, já demonstrou apoio bélico e se disse estar preparado para evitar qualquer tipo de agravamento da situação. É como engatilhar uma espingarda, apontar para a cabeça do inimigo e pronunciar os chavões dos filmes policiais de Hollywood: “se você der mais um passo, eu explodo os seus miolos”.

O presidente sul-coreano, Lee Myung-Bak, se pronunciou oficialmente na TV, exigindo que a Coréia do Norte se desculpasse internacionalmente pelo que fez. Pedir desculpas parece ser uma medida razoável, para quem está sendo acusado de mexer no queijo alheio. Mas acontece que além das desculpas, já foi implantado um forte embargo que torna a situação da Coréia do Norte, que já é isolada naqueles lados de lá do globo, extremamente complicada.

Seul decretou o fim das relações comerciais com o vizinho indesejado, cortou todo e qualquer tipo de investimento material destinado ao país através do rompimento total das relações diplomáticas; e ainda proibiu a Coréia do Norte de utilizar rotas marítimas mais baratas nas águas do Sul.

As armas estão apontadas, os dedos estão no gatilho, agora é torcer para que alguém sensato com poder de decisão política entenda que não se faz diplomacia em condições desiguais. Isso porque exigir desculpas internacionais pondo um estrangulador no pescoço do inimigo, vai torná-lo mais arisco e pouco amigável.

Esperemos que a ONU cumpra o seu papel mediador e não se mostre mais uma instituição dependente e submissa ao Estado norte-americano, como ocorreu no episódio da Guerra do Iraque. E torçamos aqui no Brasil da Copa do Mundo e do Carnaval, que uma Nova Guerra da Coréia (2010 - ?) não entre num futuro breve como conteúdo a ser estudado nos nossos livros didáticos.

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