2.4.10

Um Estado, várias nações - A questão chechena na Rússia

Na maioria dos países do mundo a identificação do Estado com a nação é apenas um ideal, na prática ocorrem muitos problemas sendo raro haver uma identidade perfeita entre o Estado e a nação, isto é, a comunidade, os habitantes com seus traços culturais.

Estima-se que no máximo 20% dos países tenham essa identidade sem grandes questionamentos entre o Estado e a nação. A imensa maioria dos Estados-Nações do mundo, portanto, tem problemas de identidade nacional: existe um Estado e duas ou mais nações ou povos com idiomas e outros traços culturais distintos.

Como exemplo podemos citar o Canadá onde existe um único Estado e no mínimo duas nações, a inglesa que é majoritária e a francesa que há tempos almeja conquistar a sua autonomia, ou seja, criar o seu próprio Estado. Inúmeros outros casos podem ser lembrados como os chechenos, os tártaros, os bashiquires, entre outros que constituem minorias étnicas na Rússia e gostariam de obter sua independência, também podemos citar os tibetanos e os mongóis na China. Entre a França e a Espanha existe a região basca, chamada de "País Basco" por algumas lideranças locais pertencendo parte à Espanha e a outra à França onde as lideranças bascas pleiteam a independência desta região fazendo o uso até mesmo de atentados a bomba, sequestros e assassinatos de políticos espanhóis.

No entanto, os maiores exemplos de Estados nacionais artificiais encontram-se na África, onde grande parte dos atuais países foi criada pelos colonizadores europeus com base apenas em mapas, sem o conhecimento da realidade da terra e dos povos que a habitavam. Nações e tribos tradicionalmente rivais foram unificadas pela força nesse continente , dando origem a colônias, que mais tarde se tornaram Estados independentes, formados por várias sociedades ou nações diferentes, com idiomas e hábitos diversos, que, em alguns casos, vivem brigando entre si.

Os casos de atentados que presenciamos esta semana na Rússia foram feitas por parte dos chechenos, mais especificamente pelas chamadas "viúvas negras" que são mulheres de guerrilheiros mortos pelo exército russo e que até hoje estão engajadas na luta pela independência desta minoria étnica. Depois do fim da União Soviética, um grupo de líderes chechenos declarou-se como um governo legítimo, anunciando um novo parlamento e declarando independência como República Chechena da Ichkéria. Até hoje, sua independência não foi reconhecida por nenhum país. Entretanto, esta declaração tem causado conflitos armados em que diversos grupos rivais chechenos e o exército da Rússia se envolveram, resultando em aproximadamente 150 mil mortos, no período entre 1994 e 2003.

Luciano Costa

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