5.3.10

O capitalismo financeiro e as fusões


O período histórico no qual surge o capitalismo financeiro é marcado pela fusão do capital dos monopólios bancários e industriais. Segundo Paulo Sandroni, em seu Novíssimo Dicionário de Economia, a formação do capital financeiro, que corresponde às últimas décadas do século 19 e primeiras do século 20, resultou da elevada concentração e centralização do capital nos setores industrial e bancário, especialmente na Europa.

O capitalismo, enquanto sistema econômico e social, passou a ser dominante no mundo ocidental a partir do século 16. A transição do feudalismo para o capitalismo ocorreu de forma gradativa e desigual no tempo e no espaço.

No capitalismo definem-se as relações assalariadas de produção. Há uma nítida separação entre os detentores da produção (ou seja, do capital) e os que possuem a capacidade de trabalho. Além disso, o capitalismo também se caracteriza pela produção em grande escala (voltada para o mercado), pelas trocas monetárias, pela organização empresarial e pelo espírito de lucro.

Considerando seu processo de desenvolvimento, costuma-se dividir o capitalismo nas seguintes fases:

  • Pré-capitalismo: período da economia mercantil, no qual a produção se destina a trocas e não apenas ao uso imediato. Não se generalizou o trabalho assalariado; os trabalhadores vendiam o produto de seu trabalho - mas não o seu próprio trabalho.
  • Capitalismo comercial: esta fase se estendeu do final do século 15 até o século 18. Apesar de predominar o produtor independente (artesão), generaliza-se o trabalho assalariado. Lucrava mais quem comprava e vendia a mercadoria, não quem a produzia.
  • Capitalismo industrial: foi marcado por grandes transformações econômicas, sociais, políticas e culturais. O comércio não era mais a essência do sistema; o lucro era o principal objetivo. O trabalho assalariado se instala, em prejuízo dos artesãos, separando claramente os possuidores dos meios de produção e o exército de trabalhadores.
  • Capitalismo financeiro ou monopolista: a partir do crescimento acelerado do capitalismo industrial, começam a surgir rapidamente várias empresas, motivadas pelo processo de concentração e centralização de capitais.

    Expansão do liberalismo

    A aplicação prática das invenções técnicas às indústrias e aos transportes (em especial a máquina a vapor e as novas técnicas de fundição), associada aos ideais do liberalismo, proporcionou uma espetacular expansão econômica e o alargamento dos mercados a uma escala mundial.

    As empresas, sentindo uma necessidade crescente de expansão, recorreram a investimentos em máquinas e novas instalações, e também a processos de concentração empresarial, ou seja, de eliminação dos concorrentes de menor porte. Assim, com o objetivo de financiar esse desenvolvimento, aprimoram-se os bancos e as corretoras de valores. Ao mesmo tempo, há o enfraquecimento da livre concorrência.

    Os bancos emprestam dinheiro às empresas ou investem diretamente. O sistema bancário torna-se dominante e passa a controlar as demais atividades econômicas. As indústrias, por sua vez, incorporam ou constituem bancos, a fim de ampliar sua capacidade de autofinanciamento.

    As holdings e a internacionalização do capital

    Começam a surgir, então, os primeiros trustes: grandes grupos que controlam todas as etapas da produção, desde a exploração da matéria-prima até a distribuição das mercadorias. Surgem também os cartéis: associações entre empresas para uma atuação coordenada, estabelecendo um preço comum, restringindo a livre concorrência e, dessa forma, estabelecendo preços aviltantes para as mercadorias. Por fim, criam-se os conglomerados: corporações que atuam no sentido de criar holdings, ou seja, uma única organização que reúne várias empresas, dos mais diversos setores e ramos, o que garante a ampliação e a diversificação dos negócios, e, conseqüentemente, o controle da oferta de determinados produtos ou serviços.

    Com a consolidação do capitalismo financeiro, as empresas tornam-se muito mais poderosas e influentes, acentuando a internacionalização dos capitais. Os grandes grupos econômicos - como Mitsubishi, Exxon, General Motors, IBM, Siemens, entre outros - surgiram nesse período.

    Em geral, essas grandes empresas têm um acionista majoritário, que pode ser representado por uma pessoa, uma família, uma outra empresa, um banco ou uma holding. Ao mesmo tempo, milhões de outras ações (títulos negociáveis e transmissíveis que representam uma fração do capital da empresa ou da holding) estão nas mãos de pequenos investidores.

    Um dos maiores conglomerados do mundo, por exemplo, é o Mitsubishi Group, que fabrica alimentos, automóveis, aço, aparelhos de som, televisores, navios, aviões, etc. O Mitsubishi tem como financiador o Banco Mitsubishi, que, após sua fusão, quando se transformou em Banco Tókyo-Mitsubishi, tornou-se um dos maiores do planeta.
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