2.3.10

Irã atômico

Qualquer cidadão com formação mediana, pelo menos, conhece um pouco da história dessa nação persa, altiva, com mais de cinco mil anos. Até há pouco tempo, o Irã era um canteiro de petróleo explorado pelos EUA e Reino Unido, que promoviam golpes de estado colocando no poder governos pró-ocidentais. O próprio Xá Reza Pahlevi foi um deles, até ser expulso pela Revolução Islâmica Iraniana de 1979, que contou com apoio total da população. Instalou-se a ditadura do clero nacionalista, que retomou os poços de petróleo para o Irã. Isso contrariou os interesses das multinacionais que, com apoio das grandes potências, EUA, Japão, União Soviética e Europa, reagiram e armaram o Iraque, empurrando Saddam Hussein contra o Irã numa tentativa de desestabilizá-lo. A guerra terminou num impasse, sem vencedor, e os Aiatolás permanecendo no poder.

Território três vezes maior que o Estado de Minas Gerais, o Irã investe muito em educação e tecnologia. É um regime totalitário, mas, com exclusão do Líbano, os demais países da região estão debaixo de ditaduras, muitas delas hereditárias, com príncipes, sultões, emires, reis, presidentes e, no entanto, como entregam docilmente seu petróleo às potências ocidentais, não são molestados.

Penso que o Irã tem, sim, direito a desenvolver seu programa nuclear, afinal, não será ele a introduzir armas nucleares no Oriente Médio. Israel há muito já as recebe com apoio incondicional norte-americano. Usa tecnologia de ponta e, graças à hipocrisia internacional, massacra mulheres e crianças palestinas sem ser intimidado, ao contrário do que se faz contra o Irã.

Gilson Luiz de Figueiredo
Pesquisador de História Contemporânea

Fonte: Tribuna de Minas - 02/03/2010

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