9.3.10

Brasil e EUA reafirmam diferenças sobre Irã na visita de Hillary


A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, e o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, reafirmaram nesta quarta-feira, após encontro em Brasília, posições distintas sobre qual deve ser a postura diante do programa nuclear do Irã.

Durante entrevista coletiva, Hillary defendeu a imposição de sanções para obrigar o Irã a aceitar restrições a suas atividades nucleares e afirmou que o governo iraniano só vai passar a negociar "em boa fé" quando a comunidade internacional se pronunciar "em uníssono" sobre o assunto.

"Somente depois que aprovarmos as sanções no Conselho de Segurança das Nações Unidas, o Irã irá negociar em boa fé", disse a representante do governo americano.

Ao lado de Hillary Clinton, o chanceler Celso Amorim reiterou a posição brasileira, contrária à aplicação das sanções.

"Não se trata apenas de se curvar à opinião de um consenso, que você pode não concordar", disse o ministro. "Cada país tem uma cabeça."

Amorim voltou a defender o caminho do diálogo como melhor opção para garantir que o Irã tenha o direito de produzir energia nuclear e evitar que o país desenvolva armas.

"A questão é saber qual o melhor caminho para chegar lá (a um acordo) ou se estão esgotadas as possibilidade de negociação", afirmou o chanceler. "Nós acreditamos que ainda há oportunidade de se chegar a um acordo, talvez exija um pouco de flexibilidade de parte a parte."


Venezuela

Os dois representantes também adotaram discursos diferentes ao comentarem a postura da Venezuela e suas críticas aos Estados Unidos.

Para a secretária de Estado, o comportamento da Venezuela é “contraproducente” tanto para sua população quanto para os países da região.

“Estamos profundamente preocupados com o comportamento da Venezuela, que nós consideramos contraproducente não apenas em relação a certos países vizinhos, como também para a própria população”, disse.

Clinton acrescentou ainda “ter esperanças” de ver “um novo começo na Venezuela”, segundo ela com “mais liberdade para os venezuelanos”.

“Gostaríamos que a Venezuela olhasse mais para o sul, para países como Brasil e Chile, que são modelos de sucesso”, disse.

Já o chanceler Amorim evitou fazer críticas ao governo venezuelano. Ele disse “não concordar com tudo”, referindo-se ao comentário da secretária, mas que concordava com o fato de que a Venezuela “precisa olhar mais para o sul”.

“Por isso é que nós convidamos a Venezuela para integrar o Mercosul, o que achamos algo positivo para que o relacionamento da Venezuela se intensifique com os países da região”, afirmou.

Lula

A secretária Hillary Clinton também foi recebida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, segundo relato do chanceler Amorim, fez uma “breve” explicação sobre a posição dos Estados Unidos quanto ao Irã.

O presidente Lula, por sua vez, teria começado a conversa pela questão das mudanças climáticas, segundo o ministro.

“O presidente Lula disse que está disposto a continuar dialogando pelo êxito da conferência (COP 16), no México”, disse o ministro.

Ainda de acordo com o relato do chanceler, Lula teria mencionado também a importância de o presidente Obama “continuar com o diálogo” com a America Latina.

Amorim negou “problemas” na relação bilateral, minimizando os atritos recentes entre os dois países. Segundo ele, a relação “está ótima”.

“Só pessoas adultas conseguem conversar com divergência. Entre um adulto e uma criança é que a divergência vira briga”, disse.

Fonte: BBC Brasil

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O mundo hoje vive um intenso processo no qual o pensamento único toma conta de toda a Terra.

As grandes potências mundiais defendem o seu posto e não querem dividir o poder, isto pode ser facilmente comprovado pelo fato de não aceitarem uma reforma no Conselho de Segurança da ONU que interessaria principalmente ao Brasil.

Assim, "pensamento universal" que coloca o atual sistema econômico como sendo o céu e os opositores como o inferno e a concentração de poder é o retrato da geopolítica mundial na atualidade.

A visita de Clinton ao Brasil mostra a grande preocupação em manter as "colônias de exploração econômica" latino-americanas que inclui o Brasil já que este nos últimos anos tem buscado novos parceiros comerciais pelo mundo nos quais o Irã está incluido, minimizando assim a influência norte americana sobre a nossa economia, tudo isso, com a belíssima atuação do ministro Celso Amorim. Os impactos da última crise mundial poderiam ter sido bem piores caso isso não fosse uma realidade.

É motivo de preocupação também a revolução que tem ocorrido na Venezuela e a luta de Chavez por independência do capital internacional, principalmente dos exploradores norte americanos que tentam de todas as formas colocar a opinião pública daquele país contra o atual governo através da mídia, afinal, a dependência financeira e o endividamento dos países subdesenvolvidos e o não crescimento baseado nas indústrias nacionais interessam a este novo modelo de imperialismo.

Enquanto isso, utilizam nossos próprios meios de comunicação que deveriam ser para fins educativos e para o desenvolvimento nacional a fim de propagarem o "pensamento universal" que nada mais é do que os interesses imperialistas de algumas potências, o pior é que tudo isso vem revestido sob o rótulo de "liberdade" e "democracia".

Leia mais sobre o assunto:

Democracia sem a maioria

O papel da ONU no século XXI

Luciano Costa

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