3.3.10

Agrotóxicos

Pesticidas causam milhares de mortes

Agrotóxicos são produtos químicos usados na lavoura, na pecuária e até mesmo no ambiente doméstico. O uso de agrotóxicos na agricultura está muito difundido, pois são considerados essenciais para se conseguir melhores condições de cultivo.

A lista de substâncias utilizadas nessas atividades inclui algumas realmente perigosas, o que levou a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) a insistirem na necessidade de se adotar precauções na manipulação e na venda dos agrotóxicos.

Segundo a OMS, 3% dos trabalhadores expostos a agrotóxicos sofrem algum tipo de intoxicação. Estima-se que, anualmente, ocorram cerca de 3 milhões de casos agudos no mundo, mais de 700 mil casos de efeitos adversos, como distúrbios neurológicos, além de cerca de 80 mil casos de câncer e 220 mil mortes.

Brasil: campeão no consumo de pesticidas

Os agrotóxicos chegaram ao Brasil na década de 1970, época em que a utilização desses produtos era obrigatória para quem quisesse obter crédito rural do governo. Atualmente, com exceção daqueles que cultivam alimentos orgânicos, todos os produtores agrícolas utilizam algum tipo de pesticida para combater pragas e doenças.

Este tipo de atividade faz do Brasil um dos países campeões do mundo no consumo dos agrotóxicos. Calcula-se que o faturamento do setor agroquímico apresentou, no período correspondente aos anos de 2002 e 2004, valores entre R$ 1,2 bilhão e R$ 4,4 bilhões.

De acordo com dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), alguns alimentos comuns na mesa dos brasileiros, como pimentão, cenoura, morango e uva, apresentam altos índices de resíduos de agrotóxicos. Ao mesmo tempo, segundo o Ministério do Meio Ambiente, estão em fase final os estudos que poderão levar à proibição de algumas substâncias químicas comuns nas lavouras do país.

Agrotóxicos em ambientes hídricos

Além do uso indevido dos agrotóxicos em algumas culturas brasileiras, está em discussão a autorização para que esses produtos possam, futuramente, ser usados em ambientes hídricos. Plantas aquáticas, algas e mexilhões tornam-se problemas quando se reproduzem excessivamente; por esse motivo, busca-se a permissão de se fazer uso de venenos para combatê-los.

Contudo, muitos desses pesticidas, mesmo quando dissolvidos, permanecem ativos no ambiente por mais de 20 dias, o que poderá comprometer a qualidade da água destinada ao consumo. Além da questão do comprometimento da qualidade da água, o agrotóxico usado em ambientes hídricos não atingirá somente seu alvo, mas destruirá a maioria dos organismos vivos dos mananciais.

Outros problemas

O fato é que o Brasil ainda não desenvolveu uma política eficiente para garantir a saúde e a educação de seus trabalhadores rurais. Exemplo disso são as próprias faculdades de medicina, que não incluem em seus currículos a disciplina de toxicologia, que poderia ensinar a diagnosticar envenenamentos e garantir orientação adequada aos pacientes da zona rural que apresentassem quadros de intoxicação.

Além disso, os problemas de saúde causados pelo trabalho com pesticidas não se restringem aos que manipulam a terra. Os pilotos de aviação agrícola estão entre os profissionais afetados. Também não é incomum a população de pequenas cidades, em regiões com economia centrada na produção agrícola, ser atingida por nuvens de veneno trazidas pelos ventos - fenômeno chamado de pulverização por deriva.

Somente no ano de 2008, a Anvisa suspendeu a reavaliação de nove componentes presentes nas fórmulas de 99 agrotóxicos registrados no país. Esses componentes já foram banidos em países da União Europeia e nos Estados Unidos, por apresentarem risco à saúde humana.

Atualmente, estão liberados no Brasil 450 ingredientes ativos utilizados na formulação de 1,2 mil produtos.

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