4.11.09

A salinidade das águas

Nos primeiros tempos de sua formação, a Terra era constituída por uma massa em fusão. À medida que o planeta foi esfriando, os elementos mais densos ficaram no centro e os menos densos migraram para a superfície. Alguns gases (oxigênio, hidrogênio, metano, vapor de água) escaparam para formar a atmosfera. Quando a Terra esfriou ainda mais, formou-se uma crosta sólida e o vapor de água condensou em grande parte, dando lugar aos oceanos.

A água dos oceanos é salgada porque contém sais dissolvidos, com concentrações de cerca de 35 gramas de sais para cada quilograma de água. Isso significa que para cada litro de água do mar há 35 gramas de sais dissolvidos (a maior parte é cloreto de sódio, NaCl). Essa água não é potável, devido à alta concentração de sais, que podem desidratar uma pessoa.

A água do mar é uma solução rica em sais, com 85% de cloreto de sódio (NaCI), também conhecido como sal comum, ou sal de cozinha, que representa no mar mais de 90% do peso de todos os sais.

A salinidade da água do mar não é uniforme ao redor do globo. A água menos salina do planeta é a do Golfo da Finlândia, no Mar Báltico. O mar mais salino é o Mar Morto, localizado no Oriente Médio (Ásia ocidental), com salinidade 10 vezes superior à de qualquer outro oceano. Por causa desses sais, as águas do Mar Morto são ricas em propriedades terapêuticas, indicadas no tratamento de várias doenças de pele e problemas respiratórios.

Existem algumas hipóteses sobre as fontes de enriquecimento de sais para a água do mar, sem que a ocorrência de uma delas possa significar a ausência da outra:

- As rochas da crosta vão-se desgastando por erosão e uma parte dissolvida desse material, que origina os sais, é transportada para o oceano pelos rios. Esta é a hipótese mais conhecida e durante longo tempo se acreditou ser a única. Porém a análise comparativa entre os sais dissolvidos transportados pelos rios e a composição dos sais presentes na água do mar demonstrou que nem todo sal existente poderia ter se originado somente através desse processo.

- As erupções vulcânicas libertam substâncias (tais como dióxido de carbono, cloro e sulfato) para a atmosfera, uma parte das quais acaba transportada com a precipitação diretamente para o oceano ou indiretamente através dos rios.

- Nos processos vulcânicos existentes nos assoalhos marinhos, as lavas originárias do manto trazem diretamente ao oceano água juvenil, ou seja, água contida nas camadas interiores do planeta e que nunca esteve na forma líquida na superfície da Terra (por nunca ter estado antes na superfície terrestre leva o nome de água juvenil). Esta água contém, em solução, vários constituintes químicos, como cloretos, sulfatos, brometos, iodetos, carbono, cloro, boro, nitrogênio e muitos outros.

Além disso, devido ao calor do magma, a água fria dos fundos dos oceanos, ao passar pelas rochas do assoalho, se aquece e troca elementos químicos com o meio rochoso. Ao ascender, integra-se ao ambiente oceânico.

- Para além destas fontes naturais, há ainda sais que provêm de poluentes gasosos, líquidos ou sólidos.

A salinidade do oceano tem-se mantido estável por milhões de anos, provavelmente como conseqüência de um sistema tectônico/químico que recicla o sal.

As interações entre os constituintes químicos dissolvidos através de vários processos, envolvendo trocas entre oceanos, atmosfera, fundos marinhos, rios, rochas da superfície e magma originam um balanço geoquímico estável do meio marinho. Por isso, há um equilíbrio entre as fontes, a quantidade de sais dissolvidos e a composição da água do mar, mantendo esse equilíbrio essencialmente constante por séculos.

Nenhum comentário:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...