3.11.09

A origem do petróleo do pré-sal


O movimento das placas tectônicas e separação dos continentes causou o surgimento da camada.

A ilustração ao lado mostra a localização de Gondwana, o supercontinente que incluía terras da América do Sul.

A camada pré-sal (que pode ter até 2 mil metros de espessura) é um gigantesco reservatório de petróleo e gás natural. No Brasil, pelas informações conseguidas até o início do século 21, está localizada na região litorânea entre os estados de Santa Catarina e Espírito Santo, cerca de 5 a 7 mil metros abaixo do nível do mar.

Mas como foi o lento processo que deu origem às bacias de petróleo no pré-sal?

A formação das reservas petrolíferas sob a camada de sal começou com o acúmulo de matéria orgânica no fundo de lagos de Gondwana, o supercontinente do sul que incluía terras da América do Sul, África, Índia, Austrália e Antártida, e que existiu há mais de 130 milhões de anos.

Naquela época, com o início da fragmentação do continente Gondwana, formaram-se os lagos que, graças aos rios que neles desembocavam, recebiam grande quantidade de matéria orgânica animal e vegetal. Esses lagos eram profundos, possuíam baixo índice de oxigênio, e os sedimentos se acumularam sob as águas por aproximadamente 15 milhões de anos.

A separação entre a América do Sul e a África prosseguiu e, há 115 milhões de anos, com a entrada de água salgada, formaram-se pequenos mares. Estima-se que o clima, na época, era quente e árido, favorecendo a evaporação e a deposição de sal no piso dos golfos marítimos, ou seja, pequenas regiões do oceano. Essa deposição ocorreu por aproximadamente 5 milhões de anos e a camada orgânica existente acabou ficando presa abaixo do sal.

Há 110 milhões de anos os continentes se afastaram ainda mais. Formou-se um mar raso entre eles, com deposição de carbonato de cálcio que se seguiu por cerca de 10 milhões de anos. Da separação entre as placas tectônicas emergiu o magma, que acabou formando o solo submarino por cima da camada de sal e do material orgânico preso embaixo dessa camada.

Com a formação do oceano Atlântico, há cerca de 100 milhões de anos, ocorreu a sedimentação do solo oceânico. Os detritos dos antigos lagos foram ficando cada vez mais profundos, ocorrendo, então, aumento da temperatura. Isso acabou transformando a matéria orgânica aprisionada sob o sal em petróleo e gás natural.

Atualmente a camada de sal é impermeável, mas, através de fissuras que se formam entre elas, escapam quantidades de petróleo e gás que acabam alojadas no pós-sal (como as jazidas da Bacia de Campos).

No Brasil, a Petrobras sabe da existência da camada de pré-sal e a explora desde os anos 1960, mas em pontos pouco profundos. Só as tecnologias desenvolvidas entre o final do século 20 e início do 21 permitiram atingir o pré-sal, 7 km abaixo do piso oceânico.

Os técnicos da Petrobras ainda não conseguem estimar a quantidade total de petróleo e gás natural contidos na camada pré-sal. No Campo de Tupi, por exemplo, a estimativa é de que as reservas são de 5 a 8 bilhões de barris de petróleo.

Se forem confirmadas as estimativas da quantidade de petróleo da camada pré-sal brasileira, o Brasil poderá se transformar, futuramente, num dos maiores produtores e exportadores de petróleo e derivados do mundo. Os investimentos, porém, deverão ser altíssimos.

Acredita-se, portanto, que somente por volta de 2016 essas reservas estarão sendo exploradas em larga escala.

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