19.11.09

A intensa busca pela espiritualidade e a "espiritualidade" de nossos dias.

A palavra religião, de acordo com os linguistas, vem, provavelmente, do vocábulo latino religare que quer dizer "voltar", "retornar ao que existiu anteriormente", "retomar um elo perdido".

O ser humano carrega, desde os primeiros momentos da sua história, essa vontade de "retomar um elo perdido", de responder perguntas que o angustiam, como: "De onde viemos e para onde vamos?", "Qual o sentido da vida?"

As religiões trazem, ainda que de muitas vezes de forma mitológica uma resposta que traz conforto para muitos já que o ser humano busca trilhar um caminho pré traçado e as ordens culturais pré existentes, isso traz comodidade e conforto.

Nas últimas décadas temos percebido maior agitação, busca mais frenética, preocupação cada vez mais crescente com a espiritualidade.

O aparecimento de diversas seitas e grupos religiosos, bem como a invasão de sistemas filosóficos orientais vem demonstrar o quanto o ocidente tem buscado a chamada espiritualidade.

Por outro lado, percebemos, cada vez mais, as crenças e religiões envolvidas em conflitos de natureza muito pouco espiritual. Guerras, intolerância, preconceito, racismo, violência: palavras que não têm muito em comum com as propostas de comunhão, de amor à vida humana e à natureza, presentes, sem nenhuma dúvida, em todas as crenças e religiões.

Vivemos tempos difíceis. O planeta ameaçado pelo nosso mode de vida, contrastes impressionantes entre as possibilidades de conforto geradas pelo conhecimento humano e a pobreza extrema a que está submetida a maior parte das populações.

Muitos se preocupam com as superstições ou com a busca da materialidade disfarçada de espiritualidade, uma forma de culto que atende aos ditames do sistema capitalista.

O fato é que o respeito à vida humana, às nossas liberdades e aos direitos fundamentais estão tão distantes de nós quanto as respostas às imemoriais perguntas do ser humano.

Não aprendemos a viver em paz. Não aprendemos a nos respeitar. Não aprendemos a respeitar todas as outras formas de vida. Parece-nos, às vezes, que construimos um castelo de cartas: um garoto abandonado e faminto em uma rua do Brasil, pode, pela vitrine de uma loja de eletrodomésticos, assistir pela TV a uma reportagem sobre a fome e a miséria na Etiópia, transmitida por um sofisticado sistema global de comunicações.

É preciso voltar nossas crenças e nossa fé para nossas atitudes cotidianas para com os outros e para com a vida no planeta.

Cultivemos, cada um de nós, nossa fé, nossa religião, de acordo com a liberdade de consciência que temos. Mas é preciso desenvolver a consciência do planeta e a consciência do outro.

Diz uma lenda zen-budista que um homem, que buscava o caminho da espiritualidade, chegou ao sopé da montanha da verdade e quis saber qual era o caminho que o conduziria a iluminação. De cada homem santo a quem perguntava, obtinha uma resposta diferente. Depois de muito pensar, decidiu-se por um caminho e afirmou que aquele era o único caminho que o levaria ao topo da montanha. Quando chegou ao topo, o homem olhou para baixo e viu que os caminhos que levavam ao topo eram tantos quantos eram as almas que procuravam a montanha.

O Amor é o Caminho pela sua graça e ninguém é detentor de fórmulas mágicas para trilhá-lo.

Luciano Costa

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