17.11.09

Eu disse.

Nos cursos de formação superior, principalmente naqueles voltados para a formação de professores dos dias atuais buscam uma formação em que os profissionais possam adquirir uma autonomia em relação ao saber e ao pensar o seu espaço de vivência.

A reprodução de conteúdos fidedignos conforme era concebido o ensino em décadas passadas é tem dado lugar a uma forma de ensinar e aprender que contemple a libertação e a autonomia do ser em relação ao objeto de estudo.

Nos currículos de ensino fundamental e médio esta forma de ensinar também é incentivada, onde os conteúdos possam ser úteis para os discentes, bem como consigam compreender seu próprio espaço de vivência num mundo em que as coisas já não se apresentam como são mas cheios de valores simbólicos e ideológicos, o que requer uma análise e uma visão bastante criteriosa da realidade. Isto vai de encontro à pedagogia tradicional que contemplava a reprodução dos conteúdos e a decoreba.

Tudo isso que eu escrevi até aqui é muito bonito na teoria, porém, na prática as coisas não tem funcionado assim.

Ha um enorme abismo entre estas teorias e a prática pedagógica até mesmo no ensino superior.

Esta semana tive que reformular um artigo que escrevi para a conclusão de uma pós gradução, onde a corretora do mesmo em vários momentos do meu texto escreveu "Quem disse?"

Ora, EU DISSE.

Isto demonstra o quanto o ensino tradicional de reprodução de conteúdos ainda está presente na prática docente e no ensino na atualidade, os mesmos que pregam a autonomia também a matam ao buscarem a reprodução literal do que "fulano" ou "cicrano" disse.

Além disso, estão abandonando os clássicos que trazem muita sabedoria, sendo que muitos até hoje são insubstituíveis e tratam de temas recentes mesmo tendo sido escritos em décadas passadas, pediram para consultar textos mais recentes, ora, além de eu não ter autonomia para me expressar ainda não posso consultar os belíssimos textos classicos? Haja paciência.

Este rumo que a ciência tem tomado me precupa bastante já que na atualidade estão matando a criatividade, a liberdade e a autonomia e ainda formando "reprodutores de conteúdos", sem falar na superficialidade na qual os temas tem sido abordados.

A ciência e o saber pedem socorro.

Luciano Costa

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