18.10.09

Religião ou política?

Quando pensamos na questão árabe-israelense, pode parecer que o motivo principal dos conflitos seja a diferença religiosa entre eles. Mulçumanos contra judeus.

Na verdade, as diferenças religiosas não são o centro gerador dos problemas, estes residem em questões de fundo político e econômico.

O Estado de Israel nasceu de decisões da ONU, sob a influência especialmente, dos ingleses que ocuparam a região até o final da II Guerra Mundial. É um país pró-ocidente que nasceu no momento de retomada da soberania, privada aos árabes por muitas décadas.

Além disso, o reconhecimento de Israel como Estado soberano implicava expatriação dos palestinos. Os judeus passavam a ter o seu Estado nacional, enquanto aos palestinos restava vagar pelos países vizinhos, gerando problemas de aceitação e adaptação - sem falar nas questões econômicas e políticas envolvidas.

No caso dos árabes, mais uma vez os ocidentais - que controlavam o Conselho de Segurança da ONU - interferiram negativamente nos seus assuntos.

Após a Guerra dos Seis Dias - em que Israel, com o auxílio dos materiais bélicos do mundo ocidental, ocupou novos territórios árabes, especialmente a região prevista pela ONU para a criação do Estado palestino - protestos levados àquela entidade por todo o mundo árabe e por outras nações provocaram uma decisão que obrigava Israel a abandonar a zona ocupada.

Alegando questões de segurança, escudando-se do terrorismo de organizações palestinas, Israel desrespeitou essa decisão da ONU. Além disso ampliou, nos últimos anos, o processo de formação de colônias judaicas nos territórios palestinos.

Como podemos perceber, as questões religiosas, as possíveis divergências entre fiéis muçulmanos e judeus, não são os fatores determinantes dos conflitos.

Luciano Costa

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