28.10.09

Os conflitos no Afeganistão e Paquistão

Nos últimos anos, tropas da Otan no Afeganistão e o Exército no Paquistão vêm lutando contra militantes da Al-Qaeda e do Talebã que atuam na região. Mas a violência em ambos os países vêm aumentando nos últimos meses.
No Paquistão, o Exército lançou uma nova ofensiva contra os militantes na região da fronteira afegã. Paralelamente, atentados atribuídos ao Talebã vêm sendo registrados nas principais cidades do país.

No Afeganistão, as eleições presidenciais realizadas em agosto foram boicotadas pelo Talebã, que também foram acusados de uma série de ataques contra as forças da Otan.

O número de soldados americanos mortos no Afeganistão em outubro já é o maior desde 2001.

A coalizão liderada pelos Estados Unidos invadiu o Afeganistão em outubro de 2001, argumentando que o país estava dando refúgio ao líder da Al-Qaeda, Osama Bin Laden, depois de os atentados de 11 de Setembro.

Até esse ano, o Afeganistão era governado pelo Talebã - um grupo fundamentalista islâmico acusado de abusos dos direitos humanos.

Desde o princípio, as forças da coalizão pediram ajuda do Paquistão para tentar combater os insurgentes, em uma tentativa de acabar com qualquer esconderijo para os militantes.

Quando ficou claro que nem Bin Laden nem o líder do Talebã, Mulá Omar, haviam sido mortos ou capturados, aumentou a pressão para que o Paquistão expulsasse os militantes de suas áreas de fronteira.

Desde então, o Exército paquistanês vem lançando ofensivas contra as posições militantes, ao mesmo tempo em que fecha controversos acordos de paz. Os norte americanos, em particular, se opõem a esses acordos, argumentando que eles permitem aos militantes se reagrupar.

A última dessas ofensivas começou no fim do ano passado, depois da eleição do presidente Asif Ali Zardari. O Paquistão agora está focando suas atividades contra os militantes na fronteira entre o país e o Afeganistão.

A principal preocupação mundial é pela segurança das armas nucleares do Paquistão que, teme-se, poderiam cair nas mãos da Al-Qaeda ou do Talebã, o que é uma possibilidade.

O perigo real é que um ou mais indivíduos ligados ao programa nuclear paquistanês forneçam material nuclear ou até uma arma atômica aos militantes para que haja um certo "equilíbrio do terror" em relação aos armamentos norte americanos.

Também teme-se que a Índia se envolva no conflito contra os militantes - especialmente em território paquistanês.

Tanto a Índia como os Estados Unidos suspeitam que escolas religiosas (madrassas) dominadas por radicais no Paquistão estejam exportando militantes para todo o mundo.

O inimigo "invisível" é o mais temido de todos, estando cada vez mais organizado e apropriando das novas tecnologias do mundo em rede pode aumentar a onde de violência além da área de conflito.

Os norte americanos vêm usando controversos ataques aéreos com aviões não-tripulados contra alvos militantes no Paquistão e Afeganistão. Sem a presença dos intrusos ocidentais na região a onda de violência que assistimos poderia ser bem menor.

Vários civis morreram nos ataques, provocando críticas aos americanos.

O presidente Obama já enviou mais 21 mil soldados americanos para o Afeganistão e há informações de que ele estaria considerando um reforço ainda maior.

Além de gerar grande violência, a presença ocidental na região não busca controlar e deixar os civis à margem dos ataques, um grande erro do país que possui o presidente ganhador do prêmio Nobel da Paz, o título mais adequado ao meu ver seria o Nobel da Violência ou do Terror, infelizmente este não existe.

O exército paquistanês mostra sinais de apoio e empenho a fim de ajudar a derrotar o Talebã.

O líder do Talebã Baitullah Mehsud foi morto em agosto passado em um ataque americano.

Os combatentes de Mehsud foram responsabilizados pelos recentes atentados contra instalações militares no noroeste do Paquistão. Eles também são responsabilizados pela onda de atentados suicidas que atingiu o noroeste do Paquistão em outubro de 2009.

Mas permanecem as dúvidas sobre a disposição do Exército em combater os militantes do Talebã que cruzam a fronteira para cometer atentados no Afeganistão. Acredita-se até que alguns elementos do Exército apoiem ativamente militantes combatentes no Afeganistão.

Eles seriam vistos como um útil contrapeso ao que o Exército chama de crescente influência do país rival Índia sobre a Ásia central.

Até agora, os militantes parecem ter sido expulsos da maior parte da província da Fronteira Noroeste do Paquistão, inclusive do Vale do Swat, mas ainda estariam entrincheirados em áreas tribais.

Mesmo que o Paquistão consiga remover os militantes de seus redutos no Waziristão do Sul, muitos afirmam que o verdadeiro desafio é garantir que o Talebã não retome sua posição na região.

O terreno é de difícil acesso e ideal para guerra de guerrilha. O Talebã e a Al-Qaeda possuem uma força enorme e não desaparecerão do dia para a noite.

No Afeganistão, a ONU afirma que o número de civis mortos no conflito aumentou dramaticamente em comparação a 2008.

A ONU afirma que 1.445 civis foram mortos de janeiro a agosto deste ano, um aumento de 39% em relação ao mesmo período no ano passado.

Quem vencerá a Guerra? No curto prazo, nenhum dos lados em nenhum dos dois países devem clamar vitória.

Recentemente, o ex-comandante da Otan no Afeganistão, general John Craddock, afirmou que a falta de soldados está aumentando a pressão sobre as operações militares e, em conseqüência, elas estão paralisadas no sul e leste do país, as áreas mais afetadas pela insurgência pedem, portanto, que sejam mandados mais soldados para a região.

No Paquistão, o Exército continua a ofensiva no Waziristão, mas ela está restrita a certas áreas e certos grupos na região.

Ninguém espera que os militantes sejam facilmente derrotados em sua própria terra.

Ainda assistiremos vários capítulos de terror oriundas da invasão norte americana de 2001.

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