7.10.09

Música e violência em JF - O problema, a essência e a aparência

Novamente voltamos a acompanhar o debate em torno dos bailes funk em JF e a questão da violência urbana.

Nos dias em que ocorrem este tipo de evento acontecem brigas entre grupos rivais com depredações que danificam ônibus e até mesmo tiros em algumas oportunidades, impossível caminhar pelas ruas próximas na saída dos eventos.

Muitos atribuem a violência às músicas dos eventos que a incitam, como vi um sociólogo sugerir hoje na TV, o que não deixa de ser uma verdade, porém, o problema vai muito além das músicas . Na verdade, esta explicação mostra a aparência e não a essência do problema.

A música é muito importante na sociedade, não só como diversão mas também como uma demonstração da identidade nacional como foi proposto por vários movimentos musicais que buscavam encarnar a arte moderna mas também sinônimo de críticas e reflexões sociais que contribuiu muito para que a sociedade brasileira pudesse protestar inclusive em períodos de ditadura militar, o que percebemos que vem se perdendo ao longo das últimas décadas.

As letras de funk de hoje, mesmo as que mais falam de violência e todas as ações violentas que temos acompanhado não deixam de ser um ato reacionário, mesmo sem o ser na consciência daqueles que praticam e compõe as músicas.

No processo de ação/reação social isto reflete a falta de políticas públicas para os jovens, o caos da educação, a falta de renda e de serviços sociais básicos para a população, a falta de empregos, a falta de oportunidades, a falta de quase tudo.

Não é uma reação intelectual e objetiva mas, portanto, violenta e subjetiva.

Enquanto isso, alguns setores da sociedade encaram o problema em sua aparência e não em sua raiz, é mais fácil encarar estes grupos que não possuem condições mínimas de sobrevivência e de vida em sociedade como os xiitas (agem de forma reacionária devido a invasão no passado de países árabes por ingleses e franceses e grande violência praticada pelos ocidentais) de nossa sociedade.

A mídia os coloca como radicais, violentos e terroristas que levam o caos à sociedade mas não falam das raizes do problema e dos verdadeiros terroristas, o Estado que não cumpre o que rege a constituição e não dá condições dignas de sobrevivência para estes cidadãos.

Se não agirmos urgentemente na essência e não na aparência as ondas de violência serão ainda maiores do que o que tem acontecido e o grande culpado é o poder público e o próprio sistema excludente que vigora em nossa sociedade.

Luciano Costa

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