15.10.11

Horário de verão

O horário de verão foi instituído no Brasil, pela primeira vez, por decreto do presidente da República, Getúlio Vargas, no verão de 1931/1932, com duração de 5 meses, e tendo como abrangência todo o território nacional.

Até 1967, a mudança no horário ocorreu nove vezes e sua implantação foi feita de forma esporádica, sem um critério científico mais apurado. Após 18 anos sem que o horário de verão fosse adotado, essa medida voltou a vigorar no verão de 1985/1986, como uma das ações tomadas pelo governo por causa do racionamento causado, na época, pelo baixo nível dos reservatórios das hidrelétricas.

Desde então, o horário de verão é adotado anualmente, sem interrupções, com diferenças apenas nos Estados atingidos e no período de duração.

Escolha do período
Atualmente, o horário de verão é adotado nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, mais precisamente nos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e no Distrito Federal.

A partir do ano de 2008, mediante o decreto presidencial nº 6.558, de 8 de setembro de 2008, ficou instituída a hora de verão a partir de zero hora do terceiro domingo do mês de outubro de cada ano, até a zero hora do terceiro domingo do mês de fevereiro do ano subseqüente.

No ano em que houver coincidência entre o domingo previsto para o término da hora de verão e o domingo de Carnaval, o encerramento da hora de verão ocorrerá no domingo seguinte.

O horário de verão é adotado sempre nessa época por causa do aumento na demanda, ocasionado pelo calor e pelo crescimento da produção industrial às vésperas do Natal. O segundo motivo é que, nesse período, os dias têm maior duração por causa da posição da Terra em relação ao Sol (solstício de verão) e a luminosidade pode ser mais bem aproveitada.

Desse modo, como, para as regiões situadas próximas da linha do Equador, a duração dos dias e das noites não sofre alterações significativas ao longo do ano, os ganhos são menores. Por outro lado, as regiões mais ao sul do país, próximas do Trópico de Capricórnio, já apresentam duração da luminosidade solar muito maior no verão do que no inverno, reunindo condições excelentes para a implantação da medida.

A escolha dos domingos para o início e o término do horário de verão é uma forma de proporcionar melhores facilidades de adaptação ao novo horário, bem como o próprio conhecimento de que a medida entrou em vigor.

Objetivo e benefícios:

A implantação do horário de verão tem como principal objetivo reduzir a demanda por energia no período de suprimento mais crítico do dia, ou seja, que vai das 18h às 21h, quando a coincidência de consumo por toda a população provoca um pico denominado horário de ponta.

Portanto, adiantar os ponteiros do relógio em uma hora permite que se aproveite melhor a luz natural, obtendo-se uma redução no consumo de energia (apurada por medição pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico) de, em média, 4% a 5%. Além disso, poupa o país de sofrer as conseqüências da sobrecarga na rede durante a estação mais quente do ano, quando o uso de eletricidade para refrigeração, condicionamento de ar e ventilação atinge seu ponto máximo.

A implantação da medida também proporciona:

a) redução dos custos com geração térmica para atendimento às cargas, no horário de ponta do sistema;

b) minimiza os riscos de restrição de carga no horário de ponta num eventual agravamento das condições dos reservatórios, com conseqüente redução nas capacidades efetivas de geração por usinas;

c) preservação do meio ambiente, quando se evita a poluição que seria produzida pela queima de combustível fóssil, na geração de energia elétrica de origem térmica, para atendimento à ponta do sistema; e

d) melhoria da qualidade de vida da população, proporcionada pelo maior aproveitamento da luz solar, obtendo maiores espaços diários para o lazer, mais tempo para se dedicar a outras atividades e maior segurança ao entardecer.

A redução da demanda máxima e seu deslocamento de cerca de uma hora traz importantes benefícios operacionais, como a redução dos carregamentos nos principais troncos de transmissão, reduzindo a possibilidade de corte de carga e melhoria no controle de tensão, aumentando a confiabilidade e a qualidade do fornecimento de energia elétrica. E também melhora a alocação das folgas de geração, provoca um aumento da flexibilidade operacional e, subsidiariamente, o consumo de energia elétrica é reduzido.

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