14.10.09

Estatísticas e mapas - Escondendo e manipulando a realidade.

Ao trabalharmos com estatísticas de diversas espécies nas análises científicas, sejam elas exatas ou humanas é necessário estarmos atentos sempre na metodologia, ou seja, como os dados foram obtidos.

As estatísticas, na maioria dos casos são instrumentos governamentais que podem mascarar uma dura a cruel realidade, o que é passível de manipulações ou dados ilusórios.

No caso das manipulações, é bom lembrar que toda pesquisa é passível de fraudes, durante as eleições por exemplo, várias estatísticas são encomendadas, surgindo em cena várias estatísticas sobre uma mesma intenção de voto, o que pode fazer com que um candidato esteja aparentemente com mais popularidade do que a realidade, para quem não tem a memória curta isso foi utilizado em JF na última eleição com a "virada histórica" tucana.

Outra forma de manipular os dados consiste na forma com que se faz a pergunta, o que pode muitas vezes induzir determinadas respostas conforme é de interesse de quem encomenda a pesquisa.

No caso da ilusão, muitos dados não contemplam a realidade vivida.

Um exemplo claro disto são os dados sobre a pobreza no mundo, a alguns dias em livro didático me deparei com um destes que mostrava a redução das pessoas que estavam abaixo da linha da pobreza no mundo.

Estes dados baseiam-se em índices internacionais que consideram abaixo da linha da pobreza as pessoas que ganham menos do que um dólar por dia, ora, com esta quantia no Brasil eu não pagaria nem a conta de telefone da minha casa, quem dirá sobreviver dignamente.

A massa de pobres no mundo é, portanto, muito maior do que mostram estes números.

Em sala de aula eu analiso desta forma e peço para que os alunos façam uma reflexão sobre o que realmente consideramos como pobreza e como os índices apresentados são uma forma de iludir ou mascarar a realidade. Fica a dica para os colegas que passam por aqui.

Devemos, portanto, sempre pesquisar como se chegou a tais dados, e lembrar que na maioria dos casos as pesquisas são feitas por amostragem e são feitas médias, o que disfarça quase perfeitamente a tirania e os indigentes de uma sociedade onde as desigualdades são gritantes e os índices de acúmulo de capital nas mãos de poucos é enorme.

A poucos dias eu postei um mapa sobre o IDH, quem não viu é só procurar em postagens anteriores, o mapa coloca o Brasil que é o 75º na mesma cor de EUA, Austrária e Noruega por exemplo onde as condições de vida são muito melhores, o que passa uma sensação de menor desigualdade no mundo, colocando a sua maioria em um elevado patamar, o que podemos perceber que é uma ilusão, tanto devido a média que eu já analisei como devido a própria realidade e problemas internos do Brasil.

O que dizer então das projeções cartográficas que usamos no Brasil que colocam os países de alta latitude (desenvolvidos) em evidência (maiores do que a realidade).

Da mesma forma, a tirania e exploração econômica internacional do mundo subdesenvolvido pelos países ricos são escondidos atrás das estatísticas, podemos lembrar do crescimento industrial brasileiro, onde as maiores corporações são estrangeiras e não tem nenhum compromisso com o local, enviando a maioria dos lucros para fora do país.

Temos que estar atentos sempre que utilizarmos estatísticas e mapas já que estes são uma forma de dominação, de mascarar a realidade e de demonstrar poder.

Luciano Costa

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