1.9.09

Uma história que gostaríamos que fosse irreal.

Era de manhã, todos iam buscar suas migalhas.

Um pedaço de lixo, uma latinha vale ouro para quem não tem nada.

Na cooperativa, lixo vira alimento.

Os chamados "dalits" do bairro, moradores de uma área invadida começam a luta, a jornada diária pela sobrevivência.

Na escola do bairro, a zombaria é constante, os humilhados são chamados de "dalits", não tem comida, não tem caneta, não tem lápis e nem caderno.

A tão esperada merenda é o almoço do dia.

A polícia chegou!

Para pegar os ladrões? - Não!

O que aconteceu? Pergunta o morador excluido.

Vai dando o fora!

Para onde vou? Tenho família, o que fazer?

Se vira, ninguém mandou invadir uma área pública!

Isso aqui vai ser lailoado para dar dinheiro para a prefeitura!

A cidade está em crise, os empresários precisam de dinheiro!

E eu que nasci em crise doutor?

Não posso fazer nada, só estou cumprindo a lei! Se não sair já sabe, mês que vem vamos demolir! Você tem para onde ir?

Não doutor, senão eu não estaria aqui! Você acha que eu quero, que eu gosto disso aqui? Não tenho escolha, o existir cruel me escolheu na sociedade dos escolhidos, do capitalismo excludente sou um filho!

Para a defesa civil é área de risco. Qual o maior risco, estar aqui ou no viaduto? estas são minhas únicas escolhas doutor!

Joãozinho chega da escola.

- O que houve mamãe?

- Vamos ter que ir embora!

- Ué, o que aconteceu?

- Reintegração de posse, o terreno é da prefeitura!

- Porque não podemos morar mamãe, aqui não tem nada, é um terreno baldio.

- É a lei meu filho! Amanhã mesmo vou pedir sua transferência de escola.

- Pelo menos em outro lugar talvez não me zombarão me chamando de dalit. E a cooperativa, e o emprego mamãe?

- Vamos ter que nos virar, agora só resta orar!

Este é o retrato de uma situação que acontece todos os dias nas periferias das cidades, hoje aconteceu aqui perto de casa.

Como gostariamos que tudo fosse uma historinha irreal, mas não é, é uma realidade sistêmica oriunda das raizes capitalistas e excludentes.

E tem gente que cultua esta bosta! E o presidente faz média e empresta dinheiro pra o FMI sem nem mesmo resolver todos os problemas internos.

E a prefeitura? A prefeitura quer seu terreno! É um agente do capital, é proprietário de terras e responsável por cuidar dos que não as tem, uma dicotomia que sempre vai afundar ainda mais quem precisa de planejamento, de serviços básicos.

Para alguns tudo está bom, para outros resta a lama do chão!

Luciano Costa

Um comentário:

Raissa Izola Duarte disse...

Pra quem tá bom?

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