29.9.09

Projeto transposição do Rio São Francisco

O rio São Francisco conhecido popularmente como Velho Chico, nasce na Serra da Canastra no estado de Minas Gerais, atravessa o estado da Bahia, passa pelo estado de Pernambuco e desemboca no Oceano Atlântico, entre os estados de Sergipe e Alagoas.



Do ponto de vista ecológico, econômico e social, o Rio São Francisco tem grande valor regional, e pode ser considerado como um dos principais fatores de desenvolvimento no Nordeste. Por isso, visando minimizar os efeitos do clima semi-árido no Sertão Nordestino, o Governo Federal vem desenvolvendo o projeto de transposição (transporte, deslocamento) de uma parte da água do Rio São Francisco, visando abastecer os rios e açudes dessa região.
O projeto é polêmico e divide a opinião da sociedade. Aqueles que defendem a idéia, afirmam que a transposição do rio pode ajudar no abastecimento de água da região conhecida como Polígono da Seca (área situada entre o Sudeste e o Nordeste do Brasil, afetando os estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe), fornecendo água suficiente para a agricultura e o consumo da população. Do outro lado, estão pesquisadores,
ambientalistas e técnicos que chamam a atenção para os impactos ambientais e culturais irreversíveis que as áreas afetadas vão receber.

O infográfico a seguir revela o quanto é importante a sociedade conhecer e refletir sobre o projeto de integração do Rio São Francisco a outras bacias hidrográficas da região Nordeste e quais os efeitos positivos e negativos, previstos no relatório de impacto ambiental divulgado pelo Governo.




Leia a resposta do Governo brasileiro aos questionamentos dos grupos da sociedade que são contrários ao projeto de transposição do rio São Francisco:

As pequenas obras são complementares à transposição e não a substituem. A construção do Canal Norte garantiria uma melhor distribuição de água dos açudes para a população do sertão cearense e aliviaria o atendimento de Fortaleza. As famílias retiradas para a construção da obra serão indenizadas. A irrigação possibilita uma nova fronteira agrícola, mas a prioridade no abastecimento será para o consumo humano. A evaporação da água é pouco relevante e o uso de adutoras não seria justificado.
Fonte: Agência Brasil.


Opinião do geógrafo Aziz Ab'Saber sobre o Projeto São Francisco:

O polêmico projeto de transposição consiste na transferência de águas do rio para abastecer rios e açudes da região Nordeste. Ab’Sáber criticou a falta de planejamento e estudos climáticos sobre as áreas que irão fornecer e receber águas.

“O projeto diz que será preciso tirar 1% das águas do rio para transpor por cima da chapada do Araripe e descer para o Ceará. Quem chegou a essa conclusão deveria conhecer melhor a climatologia dinâmica dessas regiões, que faz com que as águas do rio fiquem mais altas ou mais baixas, dependendo da época do ano. Essa porcentagem pode significar uma réstia de água em um momento ou, durante o período de chuvas nos sertões do Ceará e do Rio Grande do Norte, por exemplo, nem seria preciso enviar água do São Francisco”, disse.

A poluição das águas do rio também foi abordada pelo geógrafo. “Ninguém me convence de que a transposição fornecerá água potável para todos os que teoricamente se beneficiarão com o projeto. As pessoas que afirmam isso não entendem bem de planejamento. A justificativa é muito simples: as águas do São Francisco estão poluídas”, observa o geógrafo.

“Elas vêm desde a serra da Canastra e passam por muitos rios em áreas onde a cultura de soja está se estendendo com a utilização de grande quantidade de defensivos agrícolas. O rio recebe ainda a poluição que vem de rios das cidades de São Paulo e Belo Horizonte”, explicou o autor de diversas teorias e projetos inovadores na geografia brasileira.

Ab’Sáber disse não ser contra o projeto de transposição, desde que seus gestores sejam corretos e não se envolvam com corrupção. “Uma das grandes coisas que aprendi em minha vida é a necessidade de ouvir o povo antes de qualquer tipo de planejamento, ainda mais em um empreendimento desse porte”, sinalizou. “Com o planejamento que foi feito, pouca gente da base da sociedade brasileira terá vantagens com esse projeto.”

Prever impactos

“Para planejar é necessário estudar muito mais do que a viabilidade técnica e econômica. É preciso saber o tipo de conhecimento que conduziu aos projetos dentro de um plano de ações. Além de se preocupar com a viabilidade ambiental, ecológica e social em relação ao entorno da ocupação humana do espaço considerado, o bom planejamento envolve ainda a previsão dos impactos que qualquer projeto desenvolvimentista demanda”, disse Ab’Sáber.

Segundo ele, em termos de planejamento, a previsão de impactos, que vem logo depois da análise de todas as viabilidades – e que, segundo ele, deve ser feito por pessoas independentes desvinculadas dos interesses comerciais do projeto –, é a “arte-ciência de saber o que vai acontecer em diferentes profundidades do futuro”.

“O conceito de prever impactos se caracteriza pela capacidade das pessoas de entrar em um círculo de possibilidades mais viáveis do conhecimento futuro. É a análise da cadeia de conseqüências de um projeto sobre o que já está em um terreno em termos de ações antrópicas e aquilo que foi remanescente de natureza”, assinalou.

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