3.6.12

De oprimido a opressor

Para que os oprimidos da sociedade de fato adquiram a libertação é necessário antes de mais nada que haja amor e solidariedade.

Se não ha quem pense, quem ensine, dificilmente alguém na condição de oprimido irá obter uma visão de mundo que o possibilite se libertar.

Para tanto, é necessário além do conhecimento e ativismo uma práxis, é preciso que esta ação revolucionária seja um fato, para isso é preciso trabalhar e não viver apenas nos discursos.

Muitos opressores da sociedade nos aparecem disfarçados de "boas ovelhas" e com a fachada do assistencialismo nos aparecem camuflados, como pessoas que lutam contra a opressão, porém, na verdade, para cada pessoa assistida existem outras cem desassistidas e todos continuam oprimidos.

Assim, acontece a falsa generosidade, impregnada de estratégias de opressão.

Para que aconteça a revolução de fato é necessário antes de mais nada uma pedagogia que leve a libertação, que leve à autonomia intelectual, que leve aos educandos da sociedade de diversos estratos a conhecerem seu próprio espaço de vivência e todas as estratégias opressoras dealienação.

Desta forma, a educação libertadora não pode ser praticada pelos opressores já que o que vai ocorrer é uma forma de manutenção dos sistema alienadores já existententes, manutenção da velha ordem desumana existente.

O homem em sua jornada na Terra criou este mundo "humanamente desumano" e o desamor, aquilo que nos difere dos outros seres a consciência não é usada para o amor, mas para o seu antônimo.

Já que este estado foi socialmente criado, só pode ser revertido socialmente, com o engajamento verdadeiro e a luta de classes e movimentos de resistência que leve à libertação. Marx em seu pensar sobre o espaço nos fala sobre isso maravilhosamente bem.

Segundo Paulo Freire, "ninguém liberta ninguém, ninguém se liberta sozinho: os homens se libertam em comunhão."

Quando o estado anterior de alienação é tomado pela libertação e engajamento social é algo maravilhoso, é o momento em que se rompe um sistema, em que as pessoas "se descobrem" como cidadão ativos e com voz no mundo deixando, portanto, de serem meros expectadores para serem ativos, para serem reprodutores da liberdade.

O grande problema é que alguns ex oprimidos são tomados pela cultura capitalista do ter acima do ser, muitos correm atrás não da liberdade, mas de passar de oprimidos a opressores, cultuando o mode de vida opressor, desta forma, muitos não são reprodutores da liberdade, mas da opressão, este se torna o testemunho de humanidade de muitos. Aqueles que eram explorados agora são exploradores.

O homem novo, liberto não condiz com a figura do opressor, a homem liberto não é individualista e a sua consciência como pessoa e de classe oprimida está deturpada para dar lugar aos valores opressores. Desta forma para que o oprimido tenha uma libertação de fato não pode ter no opressor o seu "testemunho de homem". Quando isso ocorre, a revolução não acontece, o que ocorre é uma revolução privada e uma passagem de oprimido a opressor, ambos os estados pessoas cativas pelo sistema perverso que prevalece.

O "medo da liberdade" de que se fazem objeto os oprimidos, medo da liberdade que tanto pode conduzi-los a pretender ser opressores também, quanto pode mantê-los atados ao status de oprimidos. Este medo da liberdade também se instala nos opressores, mas, de maneira diferente. Nos oprimidos, o medo da liberdade é o medo de assumi-la. nos opressores, é o medo de perder a "liberdade" de oprimir.

Muitos oprimidos não querem correr o risco da liberdade, então vivem acomodados e adaptados, imersos na própria engrenagem da estrutura dominadora e desta forma continuam a sua jornada inautêntica e desumana, sendo, portanto fantoches dos dominadores.

A educação deve e pode ser um instrumento de libertação, para tanto, é necessário um engajamento revolucionário, somente assim podemos sonhar com um mundo humano e onde o amor reine, ele está em cada um de nós!

Luciano Costa

Um comentário:

Profª Isabel Aguiar disse...

Oi Professor. Que bom saber que não estou só. Eu tb utilizo blog em sala de aula. Sou professora de História , Sociologia e Filosofia da rede estadual de ensino do Ceará.
Dê uma olhadinha no meu blog: www.profisabelaguiar.blogspot.com
Aceito críticas e sugestões.

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