26.8.09

Venezuela e Rússia preparam acordo armamentista


Parceria deve se estender aos setores petrolífero e bancário.
Pacto entre Colômbia e EUA é ameaça, alega Caracas.

Rússia e Venezuela preparam novos acordos de cooperação nos setores técnico-militar, petrolífero e bancário, que serão discutidos na próxima visita do presidente venezuelano, Hugo Chávez, à Russia, em setembro, moldando uma parceria que pode envolver os russos em uma polêmica sobre a presença militar dos Estados Unidos na Colômbia.

Chávez afirmou na semana passada que está preparado para comprar dezenas de tanques russos para combater a intenção norte-americana de aumentar a presença militar na Colômbia.

"O presidente da Venezuela é um dos principais políticos internacionais. Ele tem uma personalidade muito forte e é um grande amigo da Rússia", afirmou neste sábado (15) o vice-primeiro-ministro russo, Igor Sechin, que nos últimos meses realizou várias viagens ao país sul-americano para impulsionar os negócios bilaterais.

"Eu sei, por experiência, que se ele disser algo, cumprirá", afirmou Sechin em coletiva de imprensa após uma reunião com o vice-presidente venezuelano, Ramón Carrizalez, quando perguntado se a Rússia venderia tanques à Venezuela.

'Proteger o povo'

"Nós, como um estado soberano, precisamos proteger nosso povo e, nesse sentido, podemos comprar armas que acharmos necessárias", afirmou Carrizalez.
Sechin disse que a cooperação militar com a Venezuela ajudará o complexo industrial bélico russo, que passa por dificuldades, a lidar com a crise econômica, mas se negou a detalhar o acordo dos tanques, dizendo que era papel dos presidentes.

No dia 5 de agosto, Chávez anunciou que prevê assinar "um acordo importante sobre armamento" no mês que vem na Rússia. "Será um conjunto de acordos, não só de armas, mas um acordo sobre todo tipo de armamento para aumentar nossa capacidade militar operacional, a de nossos sistemas defensivos, de nossa defesa antiaérea", entre outros aspectos, disse na ocasião.

O líder venezuelano justificou a necessidade do novo acordo militar com a Rússia pela "ameaça" que, segundo sua opinião, representa para a Venezuela e para outras nações sul-americanas o pacto negociado entre a Colômbia e os Estados Unidos para permitir o uso de sete bases militares colombianas por soldados americanos.

A Rússia, segunda maior exportadora de petróleo do mundo, quer restaurar seus laços com a América Latina, cultivados durante a era soviética.
A recente viagem de Sechin à América Latina incluiu Cuba e Nicarágua, tradicionais aliados da União Soviética.

Rússia e Venezuela devem apresentar no próximo mês uma parceria que tem como meta a exploração do campo de petróleo em Junin 6, na região de Orinoco, onde a Venezuela diz existir a maior reserva de hidrocarbonetos do mundo.

Fonte: G1

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