28.7.09

Sistema-mundo

Competições, concorrências, vencedores, vencidos, ricos, pobres, abandonados à própria sorte: termos que exprimem as modalidades e os resultados do funcionamento de um sistema mundial assimilado então ao desenvolvimento do capitalismo. Nunca na história da humanidade houve tamanha concentração de poder nuns poucos lugares nem tamanha separação e diferença no interior da comunidade humana.

Lugares de poder: o arquipélago metropolitano mundial

No final do século XX, os poderes que atuam sobre o mundo e as inovações que o transformam localizam-se num número limitado de lugares: megalópoles da América do Norte, a do nordeste e a da Califórnia, a do Japão, centrada em Tóquio, a da Europa Ocidental, entre a planície do Pó e a bacia de Londres, englobando a ilha parisiense. Aí, 5% da população mundial vive em 0,4% da superfície das terras. É aí que se localiza a grande maioria das 500 maiores empresas financeiras e industriais, os governos e as instituições que pesam sobre o Mundo:

Casa Branca e Pentágono, o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional em Washington; as Nações Unidas e Wall Street em Nova York; os centros financeiros de Tóquio, Frankfurt e Londres, as grandes agências de informações que tratam e difundem os acontecimentos do Mundo; e, em Londres, a Reuter, que monopoliza as informações financeiras. Os membros do G-7 aí residem, como os presidentes e os primeiros-ministros, que freqüentam as “conferências de cúpula”. Dos novos conhecimentos, 90% se elaboram nos laboratórios dos países onde se encontram essas megalópoles.

Nesses pólos do sistema-mundo, estratégias e decisões repousam num tratamento maciço e instantâneo de informações públicas e confidenciais coletadas em todo o mundo. No anel das redes que cinge a Terra nas latitudes médias do Hemisfério Norte, circulam 98% das informações financeiras, e os tráficos aéreos são aí os mais intensos. Os contatos diretos entre dirigentes conservam toda a sua importância, sem embargo da fluidez e da diversidade dos meios de comunicação: é nesse anel que se deslocam os “novos nômades” que dirigem o mundo.

Por toda parte as mesmas grandes infra-estruturas, plataformas aeroportuárias e portuárias, redes rodoviárias e ferroviárias, os mesmos grandes hotéis e as altas torres onde têm sede as grandes empresas; por toda parte os preços dos imóveis nos grandes centros urbanos são justificados pelo número de negócios das empresas mundiais que se encontram. O poderio mundial se exerce numa concentração geográfica dos poderes.

DOLLFUS, Olivier. Geopolítica do sistema-mundo. In: SANTOS, Milton et al. (Org.). O novo mapa do mundo: fim de século e globalização. 2. ed. São Paulo: Hucitec-ANPUR, 1994. p. 34-5.

Nenhum comentário:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...