1.7.09

A geopolítica do sistema-mundo - papel das cidades globais e tecnopólos


Segundo Dollfus, “O poderio mundial se exerce numa concentração geográfica de poderes”, isso é uma realidade no contexto em que vivemos definido pelo mesmo por Sistema-Mundo, que é caracterizado pela concentração de poder nas mãos de alguns países pólos que através do sistema de redes exercem controle sobre vários territórios do mundo que ora estão sob as suas influências.

Desta forma, o poderio mundial está concentrado nas mãos de alguns países imperialistas que chegaram a esta condição devido à acumulação de riquezas oriundas de várias fontes, dentre elas a tomada de territórios no passado a fim de explorarem os recursos, obter mão de obra barata ou conseguir mercado consumidor para a sua produção, possibilitando a obtenção de recursos a fim de se industrializarem e serem beneficiados com a revolução industrial e os paradigmas globais da atualidade.

Alguns pólos como os EUA por exemplo foram colônias de povoamento, o que possibilitou um crescimento não tardio, e uma expansão ainda maior à partir das duas grandes guerras que tiveram como palco a Europa onde se concentravam as grandes potências, assim, os EUA se tornaram fortalecidos, sendo grande fornecedor de armas e outros produtos para a sobrevivência dos europeus, o que alavancou ainda mais a sua indústria.

O poderio se expressa de várias formas, entre elas através do avanço das empresas multinacionais que buscam nos "países-colônia" um menor custo de produção ou um mercado consumidor, dependendo do segmento, através da difusão da cultura nos países influenciados através dos meios de comunicação, onde muitos deles como TV, Rádio e Internet pertencem às empresas com sedes nos países Imperialistas, buscando impregnar uma cultura comodista, à margem do saber político e que não consiga refletir sobre tal situação, também é expressado pela difusão da língua estrangeira, onde como exemplo podemos citar o Inglês que é considerado uma língua mundial, sendo que em séculos passados tinha uma pequena área de influência, assim, na era da globalização podemos dizer que a influência imperialista se torna ainda maior devido a facilidade com que circulam os fluxos através das redes, e com a facilidade de difusão econômica das grandes corporações e Estados Capitalistas, o que torna o domínio mais facilitado, enquanto as técnicas são utilizadas para este fim, o Sistema-Mundo contribui para que isso cresça diante de um Mundo em que os países imperialistas sejam os possuidores dos benefícios oriundos da difusão das técnicas, assim, são donos do poderio mundial a partir da concentração desse poder pelos aspectos citados.

No Sistema-Mundo, as chamadas cidades globais e os tecnopolos tem um papel muito importante para a manutenção do sistema atual, isso porque é neles que os fluxos circulam com maior intensidade, sendo neles que circulam a maior parte das informações financeiras, sendo cidades tidas como administradoras do sistema, segundo dados, 98% destas informações circulam no Pólo Norte, é também nestas cidades que é investido uma enorme parcela do capital destinado à criação de novas tecnologias, desta forma o controle econômico se torna ainda mais acentuado.

São nos tecnopólos que existem mentes que buscam a criação de novas tecnologias, sendo financiadas pelo capital que busca uma expansão constante no Sistema-Mundo capitalista, assim, estas tecnologias são exportadas para os países que não possuem investimento nesta área, que normalmente são os países sob influência imperialista, essas tecnologias são lançadas no mercado, ao mesmo tempo que o consumismo exacerbado é estimulado, ainda que a renda da maioria das populações não permita a manutenção de tais regalias, porém, existem vários apelos lançados em nossas mentes dia após dia, pelas empresas detentoras da mídia, muitas tecnologias são vendidas aos próprios governos onde são utilizadas para diversos fins pois são impossibilitadas de produzir tal tecnologia. As cidades globais e os tecnopólos são essenciais para a manutenção desse sistema exploratório e acumulatório onde o capital está acima de qualquer qualquer, mesmo que seja em prol da manutenção da vida humana.

Segundo o que já foi explanado anteriormente , a globalização não atinge a todo o espaço geográfico, isso porque os benefícios desta são aproveitados por uma minoria da sociedade, isso devido a fatores históricos de acumulação de lucro e fragmentação do espaço através da busca de ares de domínio pelas grandes potências imperialistas, sem falar na evidente má distribuição de renda e do sistema de produção onde os donos dos meios de produção exploram os trabalhadores a fim de extraírem a mais-valia e acumularem o lucro, num sistema excludente que beneficia uma minoria da sociedade e que tem aumentado assustadoramente os níveis de pobreza pelo mundo, fazendo com que muitos vivam se alimentando dos restos dos porcos, enquanto outros se alimentam e consomem finas especiarias e vivem a lançar migalhas para os excluídos que são muitas vezes chamados de irmãos.

Essa contradição se torna muito mais acentuada nos países subdesenvolvidos. Desta forma, a globalização não atinge uniformemente todo o espaço geográfico, com exemplos podemos citar o não acesso de todos à informática por exemplo, onde, muitos sequer sabem ligar um computador ou sabem o que é internet e outros já navegam por grande parte de sua existência nessa teia global, essa tecnologia tem muitos mais adeptos de acordo com o nível de desenvolvimento de determinados países, sendo que o número de equipamento diminui de acordo com os níveis de pobreza de um país, sendo que em alguns países um computador é pode ser uma raridade, como exemplos podemos citar os países da periferia deprimida da África e até mesmo algumas cidades do norte e nordeste brasileiro.

Na difusão do conhecimento a maior parte da população é alienada e nem imagina o que se passa a sua volta, não lutam, portanto, contra ideologias dominantes próprias do sistema-mundo atual, sem falar na diferenciação dos espaços onde muitos pobres nem sequer podem pisar em determinados espaços destinados a "nata" da sociedade capitalista, é bom lembrar que muitos nem podem ir ao centro de sua própria cidade ou em determinados estabelecimentos comerciais, vivendo no anonimato no mundo sem fronteiras que a mídia tem nos enfiado pelas gargantas como uma fábula.

Escrito em 2007

Luciano Costa

Nenhum comentário:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...