27.7.09

A cidade que não existe.

Nos discursos dos representantes políticos ou elites econômicas de nossa cidade percebemos uma alusão a algo utópico e inexistente.

Ora, falam de crescimento e de melhoras nos serviços sociais básicos (saúde, educação, segurança, emprego, etc...)

Falam de um viver excelente, de uma cidade que está entre as melhores do país para se viver e que possui um IDH que se aproxima do de países desenvolvidos (dados de uma revista elitista que circula nas bancas).

Bem, esta é a "opinião" das estatísticas e dos meios de comunicação controlados pelo grande capital.

O que será que pensa o outro lado da cidade, aquele que mesmo "elegendo" um candidato não possui voz e nem direitos?

O lado miserável e abandonado de JF que antes apenas aparecia nos noticiários locais agora começa a aparecer nos notíciários nacionais.

Em tempos recentes pudemos assistir ao escândalo do governo Bejani e suas falcatruas, falsificação de documentos como diplomas e hoje (26/07/09) às péssimas condições do setor de saúde, com presos cumprindo sentenças em hospitais de urgência e tomando as vagas destinadas realmente às urgências emergências.

A grande mídia nacional poderia também visitar as escolas e denunciar a falta de materiais didáticos e péssimas condições de trabalho, poderia visitar as periferias de Juiz de Fora e mostrar as condições deploráveis de um povo esquecido, poderia mostrar a exploração de um povo que já é tão sofrido (trabalhadores) e também o aumento da violência urbana.

Mas será que mostrar vai trazer algum benefício além da audiência destes canais?

Na verdade a população juizforana e brasileira se acostumou tanto com os mais graves problemas e com os desmandos de quem possui o poder que se acomodou e acha tudo normal, já não existe uma mobilização efetiva, e quando existe, logo é reprimida pelo grande contingente de policiais estaduais e municipais que só aparecem de forma efetiva nestes momentos.

Sem amor e sentimento nada será mudado, sem autruísmo e com o individualismo que cresce a cada dia tudo ficará no lugar.

Enquanto isso, a cidade imaginária ou aquela do lado de lá continuará indo muito bem, enquanto a do lado de cá continuará camuflada a fim de que exista a outra se perpetue esta grande farsa e perversidade.

O que estamos esperando para arregaçar as mangas e mostrar que os atuais indigentes sociais podem ter voz a fim de que realmente a cidade de fábulas que mostram em alguns veículos de comunicação seja uma realidade?

Mudar as estruturas da atual sociedade excludente é preciso.

Não podemos ser estranhos ao nosso próprio espaço de vivência.

Vamos mostrar a nossa cara! Chega de hipocrisia!

Luciano Costa

Um comentário:

iarinha disse...

A cidade que não existe parece que vai continuar não existindo!

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