23.6.09

Pessoas comuns.


Esta semana pudemos acompanhar mais uma declaração infeliz entre muitas do nosso presidente Lula:

- "Sarney não pode ser tratado como pessoa comum."

Esta declaração expressa muito bem como é o pensamento de grande parte dos políticos de nosso país, eu ja havia ouvido algo semelhante da boca de um vereador de uma cidade vizinha que propôs um grande aumento de seu salário alegando que estava ganhando como uma pessoa comum.

Todos sabem que eu defendo em vários pontos o governo do nordestino e metalúrgico que agora governa o nosso país, porém também sou crítico ferrenho em outras oportunidades.

É inaceitável um comentário como este de um governo dito "democrático" como o brasileiro e onde se fala tanto em igualdade entre as pessoas. Todos sabemos que tudo isto é apenas falácia e é justamente na "democracia" representativa que se encontram as maiores desigualdades e exclusão social.

Ora, segundo o que deixou a entender o discurso de Lula, uma pessoa comum pode ser tratada com injustiças, enquanto a elite política de nosso país deve te um tratamento diferenciado, desta forma, todas as denúncias que estão sndo feitas contra o Sarney são injustas, já que este pertence a uma "casta" superior, coitadinho!

Só lembrando que Sarney foi presidente da ARENA, partido que deu sustentação a ditadura militar que Lula corajosamente combateu, e sua família governa por mais de 40 anos um dos piores estados brasileiros em qualidade de vida, o Maranhão.

Infelizmente, nossos representantes pensar ser "eleitos de Deus" e não do povo, já que pouco se fizcaliza os seus atos neste país, daí fazem valer o seu próprio direito de serem superiores e aquele papo de que todos os cidadãos são iguais perante às leis só vale para nós "cidadãos comuns", os "dalits" da sociedade ocidental, o que fez o nosso presidente ao proferir tal discurso no Cazaquistão foi oficializar a nossa "sociedade de castas".

Muitas pessoas se orgulham de serem "pessoas comuns" e poetas como Carlos Drmond de Andrade exaltam esta posição em seus poemas, porém, muitos querem se exaltar, assim como Lula exalta Sarney ao dizer que ele não pode ser tratado como uma pessoa comum por causa de sua história, história esta que nem sempre foi respeitada pelo próprio Lula que chamou o agora "colega" Sarney de "grileiro" e "grande ladrão".

O próprio presidente do senado se considera fora do comum e não se conforma com a "njustiça do país" em julgá-lo se surpreendendo como se uso indevido do dinheiro público com nepotismo e auxílio moradia fosse algo normal, direitos naturais.

Para ele, o Brasil lhe deve por muitos serviços prestados!

Seus sete parentes empregados na casa, os vários escândalos que se sucedem e os 10 mil funcionários para 81 senadores, pagamento de horas extras durante os recessos e os quase mil decretos secretos são coisas super normais.

Nada justifica a indignação da sociedade, afinal a crise não é dele, mas do senado, diz Sarney!

Lula não iniciou no mundo este jeito de fazer política, mas está trilhando por ele, a popularidade interna e o prestígio externo lhe conferiram uma grande arrogância capaz de acabar com os escrúpulos, assim como no regime militar que ele combatia e o Sarney defendia.

Luciano Costa

Um comentário:

Raissa disse...

Não espero nenhuma declaração diferente de nosso presidente,um homem que se dizia contrário ao sistema político vigente mas eleito através da manutenção do voto clientelista!

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