17.5.09

Fragmentos: Espaço, Natureza e Sociedade


“A natureza apresenta-se aos nossos olhos sob distintas formas, mas simplificam-se estas formas em duas: a primeira natureza (a natureza “natural”) e a segunda natureza ( a natureza “socializada”).”(MOREIRA, 1985, p.79).

O processo de trabalho transforma a primeira natureza em segunda natureza, um processo de socialização. Nos dias atuais não podemos mais falar em primeira natureza, nem mesmo os lugares que ainda não foram atingidos pelo homem, isto porque até mesmo tais lugares já obtiveram um valor econômico, desta forma não mais existem espaços banais, como exemplo, podemos citar a Floresta Amazônica, onde existem algumas partes ainda não atingidas pelo homem, mas Ela já é foco de interesses internacionais e tem um valor enorme de acordo com a sua falna e flora, extração de medicamentos, riquezas minerais, regulação do clima, etc...

Segundo (MOREIRA,1985), a história da natureza confunde-se com a história da sociedade e o que acontece é uma transformação de meios naturais em meios sociais, uma história contínua de transformação da natureza em sociedade, portanto, tudo, a roupa que vestimos, a casa em que moramos, o carro que dirigimos as pessoas que curtimos, são todas formas socializadas, historicizadas de natureza, assim, socializamos a natureza a partir da própria natureza socializada, as máquinas e construções que são elas mesmas segunda natureza num processo repetitivo de trabalho, a natureza está no homem e o homem é natureza fundindo-se com ela, demarcando e sendo demarcado pois é o único animal que se reproduz conscientemente, assim, como na natureza toda ação consiste em uma reação o homem também é reproduzido pela natureza, assim, acontece a concretude de um plano geral de evolução humana, onde a existência humana fica condicionada ao processo de produção/reprodução dos meios necessários e desnecessários, porém, tidos como necessários.

A geografia está na forma historicamente diferenciada de existência, estudando as dinâmicas de uma sociedade em constante interação com o espaço.

“Espaço e trabalho são a forma e a essência da Geografia, espaço e trabalho estão em uma relação de aparência e essência, assim, “o espaço geográfico é a aparência de que o processo historicamente concreto do trabalho (a relação homem-meio concreta) é a essência.”(MOREIRA, 1985, p.85).

Isso porque estudaremos os processos que transformam primeira em segunda natureza, que se reproduz constantemente, que modifica o cotidiano do homem tendo o espaço como resultante/determinante da história da sociedade.

O espaço geográfico é o produto do processo de trabalho e o processo de trabalho é produto do espaço, isso porque o processo de trabalho implica na produção dos meios de existência dos homens, por isso deve ser um processo contínuo, assim como a máquina, o espaço é condição de reprodução onde esta, vai manter os homens vivos produzindo coisas úteis para a sua sobrevivência.

O espaço é a própria sociedade, não apenas um lugar onde a sociedade se aloja, tendo um conteúdo histórico, “o espaço é a sociedade pelo simples fato de que é a história dos homens produzindo e reproduzindo sua existência por intermédio do processo de trabalho.”(MOREIRA, 1985, p.90).

O espaço então é a carga histórica de um determinado lugar, desta forma para se entender a sociedade não podemos fazer separação entre a geografia e a história porque senão entenderemos um espaço congelado, o tempo histórico não é o tempo cronológico, assim, tempo e espaço são coordenadas da história, são as propriedades desse conteúdo indissociável onde vivemos, assim, o conteúdo do espaço é o conteúdo da sociedade.

É nesse mesmo espaço que ocorre a produção de mais-valia e onde ocorrem as constantes lutas de classes, é nesse mesmo espaço que há uma luta enorme pelo poder, onde a luta constante pelo controle político do espaço tem desencadeado inúmeras batalhas, sejam em conflitos sociais mais brandos como alguns assaltos ou em grandes conflitos mundiais como grandes guerras, isso tudo na busca por poder econômico, pois tem o poder quem tem o capital, desta forma o capital luta com todas as forças para manter e ampliar o seu império enquanto os miseráveis lutam a fim de se manterem vivos, o edifício do capitalismo está cada dia maior, podendo ser implodido ou explodido enquanto bombardeiam do alto aqueles que estão em baixo a fim de crescerem ainda mais e não serem incomodados.

A geografia é um conhecimento que deve aflorar, de acordo com os conhecimentos de cada pessoa e adquirindo sempre novos a cada dia, porém, buscando sempre fazer o bem, a consciência é o primeiro passo para uma reconstrução de uma sociedade mais justa.


Fonte: Fragmento de minha monografia TCC da graduação "Contrubuições do Existencialismo no Estudo do Espaço Geográfico: Um Enfoque em Sartre, 2007.

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