21.4.09

Por uma educação realmente inclusiva.

"Os sistemas de ensino devem constituir e fazer funcionar um setor responsável pela educação especial, dotado de recursos humanos, materiais e financeiros que viabilizem e dêem sustentação ao processo de construção da educação inclusiva." (LDB/1996 - Lei de Diretrizes e Bases da Educação)

Além do fragmento citado a lei ainda diz que os discentes que necessitam de atendimento especial devem frequentar as salas de aula "convencionais", e assim serem educados de forma integrada e sem distinção em relação aos alunos considerados "dentro do padrão de normalidade" por nossa sociedade.

Apesar dos avanços no pensamento pedagógico brasileiro das últimas décadas, que vem de encontro a uma pedagogia tradicional, onde a figura do docente é a do detentor e transmissor do conhecimento e o ensino é universal, ou seja, todos devem ser submetidos as mesmas formas de avaliação e aos mesmos conteúdos, o que não respeitava o ritmo de aprendizagem e o contexto sócio-histórico dos discentes.

Na atualidade, a educação é entendida como o professor sendo um mediador entre o aluno e o conhecimento, onde ele vai estar atento às diversas variantes educacionais que vão desde o contexto social até a flexibilidade dos conteúdos constantes nos curriculos para que de fato uma educação libertadora aconteça.

Apesar dos novos paradigmas pedagógicos buscarem uma educação mais humanitária e propor o acesso a todos, o que envolve o trabalho de vários profissionais ainda esbarra em vários problemas.

Os sistemas de ensino, principalmente os públicos não sabem lidar com estas coisas e a pedagogia tradicional, a que da ênfase aos conteúdos universais, se instala, o resultado é uma inclusão fictícia e que não acontece acompanhada de uma integração de fato.

Os alunos "especiais" que ja são tão excluídos na sociedade em que vivemos, também são esquecidos no contexto educacional, onde não ha um planejamento do ensino com profissionais preparados para atendê-los e aproveitar o seu potencial, não ha também treinamento específico para os profissionais da educação, nem nos curriculos de graduação e muito menos ao se tornarem profissionais da área. Se ja não bastasse, isto ainda vem somado ao problema de salas de aula lotadas e falta de material didático adequado, o que torna praticamente impossível o atendimento "especial" que realmente traga resultados e eduque os assistidos.

O que percebemos é uma forma ainda mais cruel de exclusão e preconceito, mascarada sob a forma de inclusão. Incluir e integrar não significa simplesmente garantir uma vaga, tem que haver condições e estratégias de ensino, com profissionais preparados e materiais didáticos adequados. Sem isto, a educação escolar não fará a diferença na sociedade, mas será conivente com a lógica individualista e segregadora das sociedade capitalista. Que o baile de máscaras se torne uma festa real onde tenhamos o que comemorar.

Luciano Costa

Um comentário:

Anônimo disse...

Infelizmente vivemos no mundo das aparências.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...