13.1.12

Fragmentos: O significado de espaço.

O espaço não pode ser encarado puramente como uma paisagem que é visível como se os próprios objetos trouxessem em si uma explicação dos processos que o levaram a ser o que é, não podemos ignorar os processos que deram origem às formas.

Esta análise não é muito simples, pois diferentemente de tempos remotos onde as transformações espaciais eram lentas a partir de técnicas rudimentares, hoje vivendo no período técnico-científico-informacional, tudo acontece muito rápido e muitas vezes a nossa percepção não consegue acompanhar tais processos, mais eles existem e com uma carga ideológica ainda maior do que em tempos passados, tendo como aliados a informação a nível global.

“Assim, os objetos espaciais, o espaço, se apresenta a nós, de forma a nos enganar duplamente: por causa de suas determinações múltiplas e poligenéticas e também por sua deformação original.” (SANTOS, 1997)

Todos os progressos científicos e as técnicas tem agora função de marketing, ora se a geografia se coloca nesse pacote “marketeiro” o espaço vai se tornar quase que irreconhecível no trabalho dos geógrafos, se usarmos um método falsificado a fim de analisar uma realidade espacial, esta será mistificada, é à partir daí que inicia-se a mistificação dos espaços.

Assim sendo, não poderemos trabalhar a paisagem apenas a partir dos elementos que a compõem, é preciso retirar todos as sombras ideológicas a fim de que tenhamos uma visão clara e possibilitar uma capacidade de apreensão da realidade de forma que seja realmente a essência de determinado espaço, para isso, não podemos descartar a noção de tempo.

“A sociedade é atual, mas a paisagem, pelas suas formas, é composta de atualidades de hoje e do passado. A noção de escala é igualmente importante, pois, se o espaço é total a paisagem não o é.” (SANTOS, 1997).

Isso porque como já vimos o processo social de produção é espacialmente seletivo, portanto o espaço é composto de várias paisagens diferentes, paisagem é tudo aquilo que vemos é uma escala menor do que o espaço que é tudo. “A inserção da sociedade em movimento nesse conjunto de formas fixas constitui o processo de realização geográfica da sociedade.”(SANTOS, 1997).

O estudo desses processos ao longo da história muitas vezes fica a cargo da história e da arqueologia, porém, o significado de cada forma, de cada objeto deve ser observado pois esta compreensão trará uma realidade acerca daquilo que se buscava em cada momento histórico e a interação momentânea com o espaço, algo muito difícil pois todos os incentivos variam com o tempo e as necessidades ou aparentes necessidades de uma sociedade também, assim o papel de cada estrutura social é diferente e os meios de difusão do pensamento também, por isso essa noção do espaço em construção é importante para todos os profissionais analisadores do espaço.

A sociedade não se distribui uniformemente no espaço e está em constante mutação de acordo com as necessidades de uma dada sociedade, essas necessidades são oriundas das carências e possibilidades de uma determinada sociedade, ninguém consegue dar um passo além da distância que sua perna pode alcançar, não podemos nos esquecer das mudanças naturais ou criadas que impulsionam a ação de uma determinada sociedade como a ação das chuvas, do sol, das plantas, ferramentas, caminhos e todas as obras do homem.

Fonte: Fragmento de minha monografia TCC da graduação "Contrubuições do Existencialismo no Estudo do Espaço Geográfico: Um Enfoque em Sartre, 2007.

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