26.4.09

Fragmentos: O Ser-no-mundo

O espaço físico tem uma função espacializante do ser pois é a estrutura do nosso estar no mundo, assim sendo, podemos dizer que o homem é o espaço e o espaço é o homem pois adquire uma relação não só de moradia, mas algo maior, um sentimento patriota com o lugar que é um espaço social onde se produz/reproduz através das constantes relações de trabalho, sentimento, lazer, moradia, lugares considerados sagrados, etc... “Ele é qualitativo e não geométrico. É feito de direções e não de dimensões, de lugares e não pontos, de percursos e não de linhas, de regiões e não de planos.” (SARTRE E FERREIRA,1970 p.180). O homem está em constante relação com aquilo que o cerca, assim, somos-sendo no espaço sendo o lugar um organismo onde vários organismos vão formar um organismo maior que é o todo, de acordo com a escala do que chamamos de todo.

O tempo, presente, passado e futuro demonstram um ser em construção alguém que sempre está sendo, o passado mostrou o que fomos, o presente é um “ser-agora” e o futuro um “ser-escolha”, na verdade o que importa e o que é mais importante é estarmos sendo em um puro presente, sendo passado, presente e futuro designações secundárias do “ser-sendo” a cada dia e essa relação temporal se irradia, nessa perspectiva o presente não é presente, mas estar-se-sendo, o presente então só é devido as relações que temos a partir dele com o passado e o futuro.

A relação homem-homem tem em si como glória pessoal a certeza de que os outros o reconhecem de que nos outros também se reconhece, se vivêssemos sós em um mundo como poderíamos dizer eu? Como poderíamos dizer que somos? É nessa árdua relação dos subjetivos que existimos e em tempos de ganância quase sempre é uma relação de disputa, onde para Ser de acordo com a óptica de nossa atual conjuntura social o homem deve ocupar um espaço, deve estar acima de outros homens, custe o que custar, tudo isso devido a histórica divisão social de classes, desta forma começamos a “coisificar” o outro dando mais importância as coisas e aos posicionamentos do que a vida e às pessoas, por isso muitos vivem tentando não despertar a própria consciência e descoberta pessoal dos seres assim como nos ensinam Cristo e Sócrates, mas a fazerem outros viverem dominados pelos seus pensamentos e ideologias.

A alegria ou a dor são sentimentos únicos e exclusivos de quem as sente, o que deve haver é uma conexão humanitária externa a fim de buscar o bem de todos, sendo e buscando a cada dia enxergar o mundo com os olhos do outro, pois todos os olhares são distintos sobre uma mesma realidade.

Uma análise ser-tempo é fundamental para entender o homem atual e o homem de tempos passados já que o espaço está em constante mudança o homem produto das manifestações culturais e todas as dinâmicas do espaço não é hoje o homem de cem anos atrás, o desenvolvimento das técnicas tem sido grande responsável por estas mudanças.

Fonte: Fragmento de minha monografia TCC da graduação "Contrubuições do Existencialismo no Estudo do Espaço Geográfico: Um Enfoque em Sartre, 2007.

Luciano Costa

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