2.11.11

Fragmentos: O existencialismo.

“Mas o que é então o Existencialismo? Sartre define-o, como vimos, à partir do princípio de que, não existindo Deus, há pelo menos um ser no qual a existência precede a essência, um ser que existe antes de poder ser definido como um conceito, sendo este o homem...” (SARTRE E FERREIRA,1970 p.145).

O autor considera o Existencialismo ateu é mais coerente visto que o homem passa a não ser um projeto ou uma máquina programada a fim de ser de acordo com um plano anterior, pois se assim fosse a essência precederia a existência, desta forma o Existencialismo segundo os pensamentos e concepções cristãs seria algo não coerente.

O homem existe (nasce) e num primeiro momento não é nada no que tange à suas escolhas e personalidade, portanto indefinível, à partir daí com influências externas de acordo com o meio em que vive estará vivendo e sendo ao longo de sua vida de acordo com suas escolhas e possibilidades, assim, não há natureza humana pois não há Deus para concebe-la se tomarmos como base o pensamento geral dos cristãos que “pensam e projetam um Deus que faz os homens de verdadeiros fantoches.”

Diante disso percebemos que o homem é um ser subjetivo e responsável por aquilo que é, assim, o existencialismo busca atribuir ao homem a total responsabilidade por sua existência, assim, cada homem não é responsável apenas por si mas por todos os homens que dividem o mesmo espaço de existência pois apesar de ser individual enquanto ser, necessita de outras pessoas pois sem isso, pode desencadear inúmeras patologias psicológicas, a subjetividade portanto não é uma forma de subjetivismo mas é uma forma de valorização do homem, por esta razão o existencialismo é considerado um humanismo, defendendo que o homem é livre para projetar a sua vida, sem muros e sem paredes, sem currais e sem fôrmas.

O homem já lançado no mundo, existindo, define-se o que será com escolhas de caráter particular como sua carreira, sua religião, seu lazer, o que comer, etc... vivendo e sentindo dia após dia tudo o que é possível aos homens, numa vida de escolhas e riscos.

Várias são as manifestações ao longo da história como o grito de Nieztsche dizendo que Deus morreu! (1888), oriundo dos seus constantes conflitos com a igreja e a afirmação de Dostoievski “se Deus não existe tudo é permitido” (1866), muitos acreditam que Deus seria um regulador mas isso é uma perspectiva do cristianismo histórico, assim, através de uma análise antropológica e psicológica, entendendo os processos, todos os problemas enfrentados, a conjuntura de tal época a falta de humanismo, podemos analisar estes gritos revoltados, o existir ou não de Deus não é o que vai determinar a liberdade ou a libertinagem dos homens pois o que deveria se buscar é uma sociedade que não seja alienada, que instale a liberdade do homem e o seu encontro consigo com liberdade e plenitude.

A existência racional vai culminar em muitos dramas e preocupações humanas, todos sabemos que um dia a morte nos espera, isso é o máximo de nossa limitação pois sabemos que somos peregrinos nesse plano de existência, somos o único animal que sabemos que iremos morrer, muitos vêem isso como uma grandeza e entregam a sua vida ao serviço, porém outros vivem à dar valor à coisas fúteis que muitas vezes não geram vida, muitos encaram a vida com alegria e coragem, sem medos e sem barganhas à fazer, outros vivem como pessoas artificializadas, pouco humanas.

Sabendo que a morte é um prato inesperado e que é um instrumento geopolítico muitos se aproveitam disso para venderem a tão esperada salvação, sabendo-se que a morte é o último possível numa seqüência de possíveis, delimitando na Terra o espaço do sagrado e do profano, mercadores que geram uma vida neurótica a fim de defenderem os seus próprios interesses, fazendo uma espécie de reino estatal de Deus na Terra e trazendo a muitos uma vida de medo e perturbada numa visão religiosa de um Deus carrasco e que vive á barganhar com o homem seguindo os padrões competitivos do sistema capitalista de produção, assim, religião está ligada ao existir e pode trazer conseqüências boas ou ruins ao ser.

É bom lembrar que toda política ou justiça pode ser justiça para uns e injustiça para outros devido à unicidade do existir, individual e de alguns grupos sociais que tem traços em comum. A moral, portanto, uma criação humana, pode ser definida sinteticamente como um conjunto de regras de conduta ou hábitos julgados válidos para um grupo ou pessoa determinada.

Fonte: Fragmento de minha monografia TCC da graduação "Contrubuições do Existencialismo no Estudo do Espaço Geográfico: Um Enfoque em Sartre, 2007.

Luciano Costa

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