17.3.09

Nossas castas religiosas -Quem são os "nossos intocáveis"?

Muitos vêem nas novelas ou outros meios de comunicação a distinção existente na Índia em castas superiores e inferiores, seres abomináveis a Deus e seres iluminados e pensam ser esta uma realidade distante da nossa.

No mundo ocidental, existe na religiosidade uma divisão ainda mais perversa do que o que podemos perceber em nosso horizonte longíquo.

Ora, não é de hoje que os "cristãos" criaram uma espécie de "casta", aprisionando Deus em seus preceitos religiosos e normas de conduta, relações baseadas na moral que nada possuem do espírito do evangelho (Cristo).

Desde os tempos em que Cristo caminhou por esta Terra, a potestade religiosa estava presente e os embates eram constantes, visto que, em nada combinava a religiosidade farisaica baseada em obras da lei (obras da carne), com a graça, a liberdade, a paz e o poder do evangelho (alguns frutos do espírito).

Ora, os religiosos sempre quiseram o título de "porteiros do reino de Deus", e pelo vício religioso não conseguiam e não conseguem enxergar a simplicidade do Reino de Deus em Cristo, assim, todos os títulos e poderes deste sistema-mundo são cultuados veementemente, dando lugar a simplicidade da mensagem do evangelho.

Jesus não corria atrás dos "religiosos acusadores e donos da verdade", ja que estar entre os gentios era o mais importante, visto que, ali estavam pessoas com o coração aberto e sedentas pela mensagem das boas novas do evangelho em suas vidas, por isso, não se importava com as acusações de ser amigo de pecadores, bebedor de vinho, glutão ou um desviante religioso, ora, o que importava era levar a vida e o evangelho a toda criatura, porém, sem jogar pérolas aos porcos, afinal, as coisas de Deus não são pela força.

Assim, os "porteiros da salvação" que buscam ser "semi-deuses", continuam a espalhar sementes de perversidade e a esquecer a simplicidade do evangelho que é poder para a salvação de todo aquele que crê.

Hoje, no meio religioso temos "representantes" e candidatos a "representante" de Deus.

Temos também aqueles seres iluminados, que uma intimidade maior com o Senhor e as pobres ovelhas que precisam da mediação dos "iluminados e super ungidos".

Temos o "clube social de iluminados" ("igreja") e aqueles que não são considerados filhos, visto que não são sócios de uma agremiação destas.

E quanto a aqueles que pensam e tem bom coração para pregar as boas-novas? eEstes são ainda mais intocáveis, seres abomináveis de demoníacos que tiram a fé do povo. Ora, nada que ameace o sistema em que os lobos mamam as custas do povo pode existir ou ser lido e a única literatura boa é aquela produzida pelos "iguais", que pertencem ao mesmo clube e fazem parte da mesma quadrilha de estelionatários "evangélicos".

O que dizer daqueles que transgridem as regras do livro e do manual de regras? Estes já estão no inferno, ainda que gostem de viver como vivem ou tenham nascido como são! Jogados pelos "santos iluminados religiosos", mesmo sendo este um lugar criado para o inimigo e seus anjos. Assim, eles além da pretensão de terem as chaves do reino dos ceus, ainda tem as do "inferno"?

É bom lembrar que os classificados como "merecedores deste castigo" mudam no rol de tempos em tempos, visto que a religião acompanha a moral da sociedade.

Religião é coisa de homens! Evangelho (Cristo) e graça é coisa de Deus!

Chegamos em um tempo em que falar do evangelho é ser "herege", censurado pelas potestades religiosas e sua pretensão de manter o domínio, afinal, as ovelhas precisam de cerca!

Que perversão! Que inversão de valores!

E assim as castas são constituidas e mantidas no cenário religioso.

Ao encontro disso tudo está Cristo (O Evangelho).

No Evangelho da graça não existe seres iluminados, todos estamos no mesmo patamar, quem nunca pecou atire a primeira pedra!

No Evangelho a salvação é dom de Deus, um projeto divino para os homens, que existe desde antes da criação do mundo e pela graça somos salvos por meio da fé.

No Evangelho, existe diversidade de dons e não cargos religiosos ou semi-deuses.

No Evangelho não existe acepção de pessoas e manual de conduta, mas exame constante da consciência.

No Evangelho, as obras são fruto de uma fé genuína, não por obrigação, mas por amor, não esperando receber nada em troca, afinal, dar é melhor do que receber.

No Evangelho, somos chamados "para fora" e não "para dentro", sendo qualquer conversa, em qualquer bêco e com qualquer pessoa um grande culto a Deus e uma forma de ir por todo mundo e pregá-lo.

Que as escamas possam cair, e os sistemas humanos que fecham o reino de Deus aos homens sejam derrotadas, afinal, nossa luta não é contra carne ou sangue.

E que possamos estar livres das "castas religiosas" criadas pela sociedade que vê na religião uma forma de poder e não de vida.

Por fim, que existam apenas dois patamares, o do Deus que é amor e nos amou primeiro e os homens que mesmo "imundos e intocáveis" são alcançados por este amor e pela graça que é para todos e que deve ter um sabor de vida e não de perturbação e neurose religiosa. Aquietai-vos!

No Evangelho que é poder para a salvação de todo aquele que crê, e onde descansamos aos pés de Cristo,

Luciano Costa

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