10.3.09

Crise? Só para quem vive em crise!

Nos últimos meses, temos acompanhado uma reação em cadeia causada pela tão comentada crise mundial.

No contexto mundializado em que vivemos, com grande internacionalização do capital com grande expansão das empresas multinacionais, com sedes principalmente nos países desenvolvidos e localização em países subdesenvolvidos, onde o custo de produção é inferior, devido a vários fatores como mão-de-obra barata, incentivos fiscais dos governos, etc... fica fácil entender o porque das proporções globais de uma crise iniciada em um país tido como central na economia mundial.

A periferia capitalista dinâmica, composta por países como o Brasil, que passou pelo processo de industrialização tardiamente (Meados do séc. XX), abrindo as portas ao capital estrangeiro, principalmente para empresas norte-americanas, além de exportar inúmeros recursos naturais importantes, principalmente para os EUA, principais protagonistas da crise, que perderam seu potencial importador.

Caem as exportações e as vendas, instituições financeiras estrangeiras não emprestam dinheiro ou aumentam as taxas de juro, os preços sobem, empresas multinacionais entram em crise, o poder de compra diminui para o consumidor final, as empresas demitem, etc...

É o preço que se paga pelo "desenvolvimento" dependente do capital estrangeiro, como se deu no Brasil, impulsinado principalmente nas últimas décadas por governos extremamente neoliberais.

A desestabilização provocada pela crise, não sendo novidade, vai atingir com imensa proporção os trabalhadores que em sua maioria ja vivem numa crise constante, provocada pela lógica do sistema financeiro que agora está em crise, grande concentração de renda em poucas mãos e grande exclusão social, algo importante para que haja mão-de-obra barata para que o sistema se mantenha.

Nos últimos anos, as empresas venderam e exportaram como nunca, as montadoras bateram recordes de vendas, e agora só falam em demissões, enquanto o lucro dos grandes empresários não pode cair nem um pouco, os trabalhadores são a válvula de escape da crise, não possuindo nenhuma, ou quase nenhuma seguridade, podemos acompanhar o grande crescimento da procura pelo seguro-desemprego, que é algo paleativo, e uma estimativa de crescimento gigantesco do número de desempregados.

As montadoras receberam no Brasil oito bilhões dos governos com isenções de impostos, esta quantia seria para manter o emprego do trabalhador ou para manter o lucro dos empresários? Sem falar nos R$160 Bilhões de ajuda aos bancos, enquanto isso, o trabalhador perde a cada dia seus direitos com a flexibilização dos contratos e nenhuma medida governamental neste sentido, isto acontecem em todos os segmentos empresariais, inclusive com empresas que foram privatizadas nos últimos tempos como a Vale, que lucram como nunca e possuem um extraordinário capital em caixa, porém, insistem com as demissões e reduções de salário.

Os governos dos EUA e Europa deram 8 trilhões de dólares para as empresas, dinheiro que seria suficiente para acabar com a fome em todo o mundo, mas infelizmente, a maioria da população mundial vive aprisionada pela tirania e "ditadura" do capital.

Luciano Costa

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