30.4.12

O trabalho escravo no Brasil.

Me lembro bem a confusão que existia sempre que era tratado tal assunto no meio acadêmico, muitos colegas iludidos com algumas reportagens de supostas prisões e libertações em fazendas no interior do Brasil.

Gostaria de enfatizar também que não tenho nenhuma pretensão de paracer um ser apocalíptico como ja fui chamado em um fórum de discussões de geografia.

O que gostaria de enfatizar é a pura e simples realidade do nosso espaço de vivência, sem portanto, me basear no senso comum para embasar tais análises.

O fato é que o espaço está sempre se apresentando aos estudiosos de forma diferenciada, visto que, existe uma imensa carga ideológica em todos os objetos da paisagem e principalmente nas relações humanas.

No Brasil, um país com imensas proporções existem várias áreas vivendo no esquecimento, totalmente fragilizadas pela não efetivação de políticas públicas de segurança, assistência social, saúde, moradia, etc... a ação dos "Estado paralelos", na figura de grandes latifundiários escraviza, explora e mantém os trabalhadores rurais sob condições desumanas.

Provavelmente, os animais de estimação ou os gados leiteiros de tais latifundiários recebem um tratamento muito melhor do que aqueles seres humanos.

Ora, o fato é que vivemos num sistema excludente e escravizador por natureza, onde os escravos trabalham a fim de que os seus "donos" retirem a mais-valia explorando a sua força de trabalho.

Vivemos então o chamado escravismo moderno, escondido atrás das cortinas dos "direitos trabalhistas" é ainda mais perverso do que o anterior, ja que tem o aval dos governos neoliberais que são descaradamente agentes dos grupos hegemônicos da sociedade.

Não é portanto, preciso ir até o interior do Brasil, mais especificamente em grandes latifúndios, ou nas fábricas de "fundo de quintal" na Região Sudeste onde vários latinos de paises vizinhos como a Bolívia trabalham dia e noite em troca de moradia e comida e ainda ficam devendo os "patrões".

Aqui, ali ou acolá esta realidade se repete, visto que é algo estrutural e não conjuntural.

Ao meu ver, até mesmo o salário mínimo através do qual é comprovadamente impossível de se sobreviver, sem falar na não estabilidade e a perda de direitos dos trabalhadores nas relações trabalhistas são as marcas desta perversão, sem falar naqueles que vivem com uma renda per capita familiar bem inferior a este montante.
Semelhante as chibatadas do passado é ver nossos familiares passando fome, frio ou doente sem um atendimento digno de um ser humano, sem roupas ou calçados, sem uma educação de qualidade, sem até mesmo uma cama para deitar uma uma casa para se abrigar, tudo com o aval do Estado, que através de sua mínima atuação não beneficia a maioria da população com políticas públicas eficazes para combater o problema em sua raiz, mas apenas coloca panos quantes nas feridas que o capitalismo causa na sociedade.
Expropriação, Estatização e redistribuição de terras e riquezas é o caminho.
O sistema atual, no cúmulo de sua perversidade cria a cada geração mais e mais "sem-sem" ou "quase-sem", categoria inferior aos ja humilhados sem teto e sem terra.
Ora, para abrir lugar para o privado, o público é sucateado, como existiriam os especularores imobiliários se não houvesse déficit de moradias, se não houvessem escolas privadas a qualidade das públicas seria muito maior, visto que todos estudariam sob o mesmo teto, até os filhos dos governantes, assim também aconteceria com a saúde, segurança, etc... e se todos contribuissem na produção e os benefícios fossem divididos?
Depois de mais de 500 anos de exploração, continuamos escravos do nosso próprio espaço de vivência, enquanto perdemos a nossa soberania a cada dia através das privatizações, o aval dos governos para que o seu próprio povo seja escravizado e os lucros enviados para fora.
Precisamos de uma abolição da escravatura de fato, para isto é preciso um governo socializante de fato, não de falácia como o PT, mas que realmente trabalhe em favor de toda a sociedade e não apenas para aqueles que os elegem através de investimentos finenceiros (empresários).
Ora, para isso os movimentos sociais são importantíssimos, apenas choramingar não resolve os oproblemas, faltam ações.
Tudo isso parece utópico, até que o caos se instale e a cobra (capitalismo) morda o seu rabo, como ja está acontecendo.
Desde a colonização do Brasil, a distribuição e o acesso às terras ocorreram de maneira desigual. Grande parte dos latifúndios do país se originou das sesmarias, lotes de terras doados pelo rei de Portugal a pessoas ligadas à Corte, para serem explorados economicamente. O sistema de doação de sesmarias durou até 1820. Nas duas décadas seguintes, as terras passaram a ser ocupadas livremente , fazendo com que o número de estabelecimentos rurais de menores extensões aumentasse.Em 1850, no entanto, foi implantada a Lei das Terras, que restringia o acesso às terras públicas apenas pela compra. Somente quem tinha dinheiro para comprar tais terras era a elite do país, que já era dona de latifúndios. Com isso, a maioria da população ficava novamente sem condições de possuir terras.A "abolição da escravatura" ocorreu em 1888, coloco entre aspas já que hoje vivemos o período da escravatura moderna.
Perceber os sistemas escravizantes que nos cercam é o primeiro passo em direção a um futuro mais justo, falta ainda muita consciência da sociedade escrava em engajar na luta de classes.
Quando a terra era livre o trabalho era escravo, quando o trabalho ficou livre o espaço e a produção viraram escravos. ATÉ QUANDO?
Luciano Costa

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