5.2.09

Nossos documentos!

Ontem tive minha carteira desaparecida pela 3ª vez nesta existência.

Das três vezes, duas foram por roubo, como da última vez e uma por perda, por sorte consegui recuperar meus pertences em todas as ocasiões, com um detalhe, sempre sem os meus poucos reais que carrego.

O fato é que, estamos criando gerações cada vez mais desonestas, seja pela falta de um modelo e acompanhamento familiar como no passado, ou por negligência do Estado, o maior criminoso da sociedade.

Bom, os incidentes que aconteceram comigo, decorreram do primeiro caso, envolvendo pessoas que por pura desonestidade e não por necessidade roubaram aquilo que não os pertencia.

O triste disso tudo, é ver a grande inversão de valores na sociedade moderna, outro dia mesmo, pude ver uma vizinha brigando com a filha porque ela havia entregado R$50,00 encontrados na rua, que pertenciam a um vizinho.

A criança ao ser coagida pela mãe e alguns amiguinhos, foram cobrar do pobre trabalhador, pelo fato dele não ter dado nenhum trocado como recompensa pela devolução.

Fico pensando, o que será desta criança no futuro, sendo que ja não possui uma família estruturada e uma mãe com vários filhos de vários pais e que ensina a desonestidade.

No passado, algumas famílias com até 15 ou mais indivíduos aprendiam bons valores para a existência, mesmo na necessidade, mas e agora, em que estamos tranformando as futuras gerações?

A violência do Estado é a mais perversa, pois estruturalmente e não conjunturalmente cria o criminoso.

Ora, a grande desigualdade do sistema econômico predominante, a omissão de direitos básicos do cidadão, concentração de renda e baixos salários, etc.. tem provocam verdadeiras guerras na sociedade de classes e a tensão social aumenta a cada dia.

Seja onde for, é difícil falar em segurança, até mesmo por parte daqueles que trabalham por nossa segurança.

Sem falar no sucateamento da educação.

Somadas estas duas coisas, os danos para a sociedade são imensos.


Outro fato interessante desta "perda", foi o de ter me causado muita dor de cabeça.

Ora, não é fácil perder os documentos, parece que alguma coisa, um membro do nosso corpo foi arrancado, quando chegamos em casa e a carteira não está no bolso, é como se tivessem arrancado a nossa cabeça.

O que eu aprendi com isso tudo?

Que assim como os documentos de papel, na vida nós guardamos muitos "documentos" sentimentais que podem nos trazer grandes prejuizos.

Esses documentos podem ser algum sistema, algumas regras, paixão exacerbada por lugares, por amizades, etc.. o que acarreta o medo da perda.

Com este medo, dificilmente conseguimos progredir, não criamos, não inovamos, não saimos da rotina, não vimemos a abundância da vida.

Por causa dos nossos "documentos", muitas vezes deixamos de salvar uma vida.

Deixamos de falar de graça e amor para nos entregarmos às obras da lei e os rudimentos da carne.

Os nossos "documentos" são verdadeiras escamas nos olhos e sem eles ficamos sem o nosso chão particular da segurança.

Somente "sem documentos", é possível caminhar livre como pássaros e viver a plenitude da vida num Caminho que não consiste em obras de engenharia humana.

Assim, ser livre e "sem documento" excede todo o entendimento humano, ja que o Caminho da paz não é comida e nem bebida.

No Caminho não importa o "documento", mas a fé de que tudo deve convergir para a cruz.

Luciano Costa

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