11.2.09

Mapa da exclusão e a exclusão de fato.


Esta semana a prefeitura de Juiz de Fora divulgou um croqui onde aponta as áreas do município onde existe a exclusão social e onde se concentra a renda, e como era de se esperar, segundo os estudos apresentados, JF segue o modelo brasileiro, um dos países com maior índice de concentração de renda a nível mundial, isto não é nenhuma novidade no sistema capitalista de produção.
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Algumas coisas me chamaram a atenção em relação a tais dados, o fato de que a prefeitura foi muito generosa ao definir exclusão social através da renda, utilizando um indicador internacional que considera excluído aquela pessoa que tem uma renda familiar per capita de menos de um dólar por dia, o que equivale aproximadamente a R$70,00 mensais.
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O padrão do IBGE não está muito distante, porém, seria mais condizente com a realidade, sendo considerado abaixo da linha da pobreza quem possui uma renda per capita de 1/2 do salário mínimo por família e na linha da indigência quem ganha até 1/4 do salário mínimo, o que equivale hoje a R$117,00.
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Com isso, as estatísticas apresentadas vão mostrar um índice de exclusão baixíssimo, é portanto, conveniente ao poder público municipal, principalmente com as novas medidas de contenção de gastos supostamente provocadas pela crise internacional e pela dívida herdada da administração anterior.
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Estes números não representam a realidade, tanto pelo fato de serem utilizados dados do último censo demográfico do IBGE, que é feito por amostragem, isto é, não aborda toda a população, mas consiste nos dados de alguns domicílios de tais áreas, como também, por serem estes números muito distantes de uma renda satisfatória para suprir todas as necessidades familiares.
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Segundo dados da minha própria residência, onde vivem 5 pessoas, para suprir a casa apenas com alimentos, contas de luz, água e telefone e impostos, é necessária uma renda per capita de R$300,00 mensais, isto sem considerar os gastos com divertimentos, locomoção, roupas, saúde, educação e outras coisas esporádicas, sendo necessário, portanto, bem mais do que isto.
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Isto mostra que as estatísticas da exclusão são muito maiores do que o poder público divulga, segundo estimativas, 2/3 da população mundial vive excluída, enquanto 1/3 desfruta das riquezas mundiais, algo consideravelmente crescente no smundo neoliberal.
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Outro fato que me chamou a atenção, foi o início da implementação de programas sociais no bairro Dom Bôsco, que fica na região central, enquanto, segundo o próprio croqui divulgado mostra que as áreas periféricas carecem muito mais de recursos, seria porque precisam melhorar a estética da área que fica próximo ao luxuoso Independência Shopping? Assim como acabaram com uma área de lazer que era referência para a população daquela área, falo do campo de futebol que se localizava na curva em frente ao shopping.
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Toda estatística baseada em médias é irreal somados aos interesses da classe dominante, quem paga por isso, como sempre são aqueles que precisam de muito mais que estatísticas, mas da ação do poder público que deveria trabalhar em prol de toda a sociedade.
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Luciano Costa

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