7.1.09

Tempo, espaço e sociedade e os conflitos mundiais.

Nas minhas últimas postagens, ao falar sobre o conflito Árabe-Israelense, algo que acompanho desde a vida acadêmica, visto que, a geopolítica mundial é um dos meus interesses, assim como vários outros, dentre os quais alguns são explanados neste pequeno espaço do blog, procurei, como vocês podem perceber, enfocar as variantes tempo, sociedade e espaço.

A discussão em torno daquilo que creio, ou seja, o que a ciência não pode provar, visto que, somente podemos provar na vida, foi feito a parte, em torno de uma carta que recebi.

Entretanto, alguns escritores, costumam descartar os vários aspectos relevantes para uma análise confiável, estes dias mesmo vi algo parecido, como se os fatos históricos fossem irrelevantes neste caso específico.

É fato que, a multidisciplinaridade é fundamental nas análises sociais, sejam qual assunto for tratado.

Ao se estudar o espaço hoje, se faz necessário um olhar crítico, que vai muito além dos notíciários "globais".

O mundo muda, a sociedade muda e a dinâmica do espaço no meio técnico-científico e informacional é cada vez mais complexa.

Principalmente no contexto mundializado, onde o 4º poder (mídia), na maioria das vezes não nos apresenta as coisas como o que realmente são.

Os interesses das grandes corporações, que financiam a rede de comunicação, através da propaganda que estimula o consumo e gira o mercado, está acima de qualquer análise séria e sensata dos fatos.

A sociedade constrói o espaço, ao mesmo tempo em que é construída por ele, algo somado ao longo dos anos de nossa existência.

Ou você acha que para fabricar um carro o homem não teve primeiro que inventar a roda?

Como explicar os grandes danos causados ao meio ambiente pela sociedade industrial, sendo esta, a gênese das sociedades primitivas, sendo estas uma minoria nos dias atuais?

Nossa sociedade "Fast Food" não entende que o tempo geológico ou histórico está além dos cliques no microondas ou controle remoto.

Como explicar então, o conflito, sem suas razões históricas, sem os interesses geopolíticos das grandes potências ocidentais, ainda no século XIX, a fim de acabar com os palestinos a fim de estabelecer o "novo lar" dos Judeus, mesmo antes do fim do Império Otomano.

Como explicar a "partilha" desigual e imposta do território palestino, mesmo sabendo-se que os dois grupos étnicos não viveriam em paz dividindo o mesmo território? A experiência da coloninação Africana não foi suficiente para provar isto? Ou os grupos etnicos africanos são inferiores, apenas porque não são ramos de grandes religiões do planeta? E porque a mídia capitalista ocidental não fala nada dos conflitos africanos? Seria porque eles não tem diamantes e nem outras riquezas naturais como o Oriente Médio? Para a maioria do mundo, a África não existe, assim como Índios e outras minorias étnicas.

E quais os terrorismos a mídia não aponta? Aquele de Estado que não tem zêlo com seu próprio povo, próprio dos governos neoliberais, aquele praticado pelo mundo ocidental, onde os orientais puderam ver a longo da história vários genocídios, o que aumenta a sede vingança, ou ainda o terrorismo econômico praticado contra a periferia capitalista?


Quem você chama de terrorista?

Ou você ainda continua chamando apenas aqueles homens-bomba que passam no tele-jornal de terroristas? É isso que dá desprezar o estudo do espaço e da história.

É bom lembrar que aquele bando de malucos que fazem estas coisas, ja viram crianças, idosos, mulheres, etc.. serem exterminados pelos outros terroristas que ja citei e imagine o que se passa na cabeça deles.

Como explicar a questão do desenvolvimento e subdesenvolvimento, dos países centrais e da periferia capitalista dinâmica e deprimida e da dependência econômica brasileira, sem falar das grandes navegações e do "choque de civilizações" e a exportação do consumo e da cultura burguesa, sem falar nos movimentos bélicos de dominação, com anexão de territórios, hoje através da grande rede mundial.

Como explicar que a escravidão não acabou, e que em uma sociedade capitalista e concentrada, a maioria continuará sendo espoliada a fim de que a minoria retire a mais-valia, e um país rico em recursos naturais como o nosso, ainda existam milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza e também da indigência, e outras se virando como podem com a miséria que ganham?

Responda estas questões para você, duvido que você continue achando que a história é um estrume nas análises sociais.

Ora, por fim, eu concordo com Paulo Freire quando diz que "neutralidade é desculpa para os ignorantes", para que sujeitos libertos de toda forma de dominação que nos cerca possam ter uma visão crítica do mundo em que vivemos, é necessário primeiramente entender o mundo, o que não consiste em "doutrinamentos", mas em identificar os processos dominadores, acabando com a síndrome de avestruzes que a nossa sociedade é submetida.

Porque vocês acham que a educação brasileira se transformou no caos que presenciamos hoje, mesmo com o homem alcançando o espaço?

Sem entender o espaço em que vivemos, é impossível que existam seres críticos e libertos intelectualmente e para isso, a história e as mudanças sociais que formaram o espaço atual são fundamentais, assim como as várias disciplinas que vão nos dar um melhor entendimento do espaço.

O que passar disto é reducionismo, visto que, o espaço é extremamente dinâmico, da mesma a sociedade e suas estratégias de dominação.

Luciano Costa

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