8.12.08

Nossas Parafernálias modernas


“Como seu embaixador pode ver por si próprio, possuímos todas as coisas. Não atribuo qualquer valor à objetos estranhos ou engenhosos, e não tenho uso para as manufaturas de seu país.” (GONZÁLEZ, Horácio. O que é Subdesenvolvimento. 15ª ed. São Paulo: Editora Brasiliense. 1998. p. 14)

O trecho citado é de uma carta de um Imperador Chinês ao rei da Inglaterra George III, e refere-se ao período denominado de expansão marítima, que representou a busca das grandes potências européias por áreas de influência e exploração, Ásia, África e América, processo intensificado principalmente a partir do séc. XVIII, com a Revolução Industrial e o desenvolvimento de novas tecnologias.

Essa relação, em primeiro lugar, assume a forma de um choque entre dois mundos, entre dois sistemas sociais, entre duas histórias e momentos diferentes de organização da vida social, o que muitos autores hoje chamam de “choque das civilizações”.

Foi tal processo que levou a atual configuração espacial, um mundo fragmentado entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos como o Brasil, que é um Oásis para o capital internacional, no chamado “neocolonialismo”, fruto do neoliberalismo e perda de influência do Estado sobre a economia.

A noção de desenvolvimento e subdesenvolvimento baseia-se, principalmente nas técnicas o que proporciona maior ou menor poderio econômico, já que o valor agregado se torna maior e também pelo poderio bélico. Outra característica são os grandes conflitos civis no continente africano, graças a divisão de terras realizada pelos colonizadores, não respeitando as particularidades étnicas e culturais.

Hoje, vivemos em um mundo extremamente dicotômico, enquanto criamos tecnologia para ir a lua, a fome e a exclusão social aumentam. Criamos a tecnologia nuclear, que é uma alternativa fundamental para países que não possuem uma bacia hidrográfica capaz de mover as turbinas para gerar energia elétrica, ou muito menos espaço, mas ao mesmo tempo criamos uma arma de destruição em massa poderosíssima e que traz grandes prejuízos ao ambiente. Criamos meios de transporte cada vez mais velozes, enquanto as catástrofes e acidentes aumentam. Criamos vários meios de modernizar a produção agropecuária e aumentar a produção, enquanto isso aumenta o desemprego, a fome, o déficit de moradias e os conflitos no campo.

A sociedade constrói o espaço e ao mesmo tempo é construída por ele. Toda esta dicotomia é fruto de um mundo capitalizado e extremamente desigual com grande concentração de renda, o que já faz parte de uma cultura capitalista universal na qual vivemos e precisamos nos adaptar a um contexto competitivo e perverso.

Luciano Costa

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