9.11.06

A globalização como fábula

Estarei transcrevendo abaixo um trabalho apresentado esta semana na faculdade e que expressa muito bem as dinâmicas do espaço globalizado atual em que vivemos onde o emprego das técnicas, o meio técnico-científico-informacional tem favorecido á uma minoria enquanto a outra grande maioria vive em um estado de extrema miséria, sobre as mentes manipuldas por um sistema massacrante e o estímulo à um consumismo que está à mão de poucos, em poucas linhas mostraremos a realidade vista com olhos críticos sobre a perversidade que nos rodeia, algo criado cientificamente pelos grupos hegemônicos que detêem o poder e o capital e que não possuem nenhum vínculo com o território que é apenas um objeto de exploração, o mundo como era em tempos bem distantes com uma melhor distribuição de recursos e o que poderia ser a globalização se o rumo da humanidade não tivesse tomado os rumos que tomou até que se tornasse isso que vemos pela ação do homem, é bom lembrar que o que vemos hoje não é o que era em tempos passados, porém o espaço é fruto da ação transformadora do homem, o homem é o espaço, o homem transforma o espaço e o espaço transforma o homem.

Tenha uma ótima leitura

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Alguns conceitos de Globalização:

1) A globalização é, de certa forma, o ápice do processo de internacionalização do mundo capitalista. Para entendê-la, como, de resto, a qualquer fase da história, ha dois elementos fundamentais à levar em conta: O Estado das técnicas e o Estado das políticas. (Milton Santos - Livro; Por uma outra Globalização)

2) "Processo acentuado nas últimas décadas do século XX pela aceleração e padronização dos meios técnicos, a intantaneidade da informação e da comunicação e a mundialização da economia."(GIOVANNETTI, Gilberto; Lacerda, Madalena. Dicionário de Geografia. São Paulo: melhoramentos, 1996. p. 93.

3)Alguns conceitos de globalização:
"O termo globalização tem sido utilizado em alusão a uma multiplicidade de fenômenos que, sobretudo a partir da década de 70 estariam configurando uma redefinição nas relações internacionais em diferentes áreas da vida social, como a economia, as finanças, a tecnologia, as comunicações, a cultura, a religião, etc.
(André Luís Forti Scherer no seu artigo "GLOBALIZAÇÃO", publicado em "Trabalho e Tecnologia: Dicionário crítico" organizado por Antonio David Cattani)

FÁBULA:
"1.Narração alegórica, cujas personagens são, em regra, animais, e que encerra a lição moral. 2.Mitologia. 3.Lenda. 4.Ficção. (Dicionário Aurélio)

O MUNDO TAL COMO NOS FAZEM CRER:

A GLOBALIZAÇÃO COMO FÁBULA

O mundo em que vivemos erige como verdades um certo número de fantasias, cuja repetição, entretanto acaba por se tornar uma base aparentemente sólida de sua interpretação(M. C. TAVARES apud SANTOS, 2000)A máquina ideológica é colocada para funcionar. Alguns exemplos:

A ALDEIA GLOBAL:
No ataque de 11 de Setembro de 2001 aos EUA a imprensa americana mostrou-se bem afinada, não abrindo nenhum espaço para o pensamento crítico. Uma ordem interna da rede americana de rádio (1.170 estações com 110 milhões de ouvintes) baniu canções pacifistas, porém ouve-se à exaustão, canções como Deus salve a América e o hino nacional (COSTA,2001, p.36).

De uma maneira geral tenta-se reduzir uma realidade complexa a um maniqueísmo em que só um lado - o dos EUA - pode ter virtudes e razões.

TEMPO E ESPAÇO FORAM REALMENTE REDUZIDOS?
O mundo realmente se tornou, para todos, ao alcance da mão? O mercado global está homogeneizando o planeta ou, na verdade, as diferenças locais são aprofundadas? Segundo Sachs (1996) a globalização inclui 1/3 da humanidade e deixa de fora 2/3)

“Ha uma busca de uniformidade, ao serviço dos atores hegemônicos, mas o mundo se torna menos unido, tornando mais distante o sonho de uma cidadania verdadeiramente universal. Enquanto isso, o culto ao consumo é estimulado" (SANTOS, 2000, p.19).

MORTE DO ESTADO???

O que vemos é o seu fortalecimento para atender aos reclamos da finança e de outros grandes interesses internacionais, em detrimento dos cuidados com as populações cuja vida se torna mais difícil. Ou seja, o Estado investe muito no espaço geográfico para facilitar os fluxos e a instalação de grandes empresas. Note bem que não é uma ação para todas as empresas, mas para uma parcela destas.

Porém, contraditoriamente, a globalização e as grandes empresas desconhecem o conceito de território. Ela trabalha com pontos privilegiados, que podem ser abandonados a qualquer tempo. Portanto, essa globalização exclui a maior parte dos territórios, empresas, instituições e pessoas.

FALSAS VERDADES DOS DISCURSOS GLOBALIZADORES:

Admite-se que o crescimento máximo, e logo a produtividade e a competitividade, é o fim último e único das ações humanas;
Faz-se um corte radical entre o econômico e o social;
Há um conjunto de vocábulos comuns que nos invade a todo instante (jornais, rádios, tvs,etc.), por exemplo:

- Não se diz mais patronato - se diz "as forças vivas da nação"
- Não se fala mais de demissões - fala-se de "cortar gorduras"
- Para anunciar que uma empresa vai demitir 2000 pessoas - fala-se do "plano social corajoso da empresa X"
- As palavras flexibilidade, maleabilidade, desregulamentação - tendem a fazer crer que a mensagem neoliberal é uma mensagem universalista de libertação Portanto, o suposto triunfo do "neoliberalismo", do Estado mínimo, etc. podem ser vistos por outro ângulo, ou seja, fantasias que somos obrigados a engolir.

A GLOBALIZAÇÃO COMO PERVERSIDADE
Os 47 países menos avançados representam juntos apenas 0,3% do comércio mundial, em lugar dos 2,3% em 1960;

Para a maior parte da humanidade a globalização está se impondo como uma fábrica de perversidades:
- o desemprego torna-se crônico;
- a pobreza aumentou e a fome e o desabrigo se generalizam pelo mundo.

Esta situação se torna tão grave e tão evidente que até um dos organismos representativos desta ordem mundial, o Banco Mundial, começa a mudar seu discurso quanto ao problema. No seu relatório anual de 1996, apontava a exclusão como um problemas residual, "passageiro". No relatório de 2000/2001 a pobreza é apontada como o tema principal, conforme percebemos pelo próprio título: "A LUTA CONTRA A POBREZA"

Novas doenças se alastram (AIDS) e velhas doenças retornam. No caso da África a perversidade fica evidente, quando os interesses econômicos dos grandes fabricantes de remédios (com apoio de seus governos) se sobrepõem à vida de milhões de pessoas;
A mortalidade infantil permanece, a educação de qualidade é cada vez mais inacessível, a corrupção aumenta, etc.

"A perversidade sistêmica que está na raiz dessa evolução negativa da humanidade tem relação com a adesão desenfreada aos comportamentos competitivos que atualmente caracterizam as ações hegemônicas" (SANTOS, 2000, p.20).

As técnicas da informação (por enquanto) são apropriadas por alguns Estados e por algumas empresas, aprofundando assim o processo de desigualdades. O que é transmitido à maioria da humanidade é, de fato, uma informação manipulada que, em lugar de esclarecer, confunde.

Em outras palavras, vivemos uma loucura especulativa, com as finanças movendo e deformando a economia, levando seus tentáculos a todos os aspectos da vida. Por isso, é lícito falar de tirania do dinheiro (SANTOS, 2000, p.43).

Dessa globalização perversa escorre uma competitividade que contamina todos os níveis de relacionamento, inclusive o interpessoal, criando formas cínicas de relacionamento (SANTOS, 1997).

Disto resulta uma guerra, em que a todo custo, há que se vencer o outro, esmagando-o, para tomar o seu lugar. Esta guerra justifica toda forma de apelo à força, utilizada para dirimir os conflitos.

O MUNDO COMO PODE SER: UMA OUTRA GLOBALIZAÇÃO

Mistura de povos, raças, culturas, gostos em todos os continentes;

Com o progresso da informação, a "mistura" de filosofias, em detrimento do racionalismo europeu;

Produção de uma população aglomerada em áreas cada vez menores, o que permite maior dinamismo àquela mistura entre pessoas e filosofias (trata-se de uma verdadeira sociodiversidade);

A emergência de uma cultura popular que se serve dos meios técnicos antes exclusivos da cultura de massa.

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Podemos citar alguns exemplos claros que caracterizam muito bem esse momento em que vivemos, como exemplo das empresas multinacionais e grupos hegemônicos que exploram mas que não tem nenhum afeto pela terra podemos citar o caso do México, onde após a inserção das empresas americanas com o NAFTA, aumentou drasticamente os níveis de pobreza no país.

É bom ressaltar a influência da mídia sobre as crianças que serão os adultos do futuro, onde essas tem crescido sem se importar com as prioridades do viver e se tornando verdadeiros meninões adultos, pois outras coisas ditadas pela mídia se tornam o tido como bom por aqueles que estimulam o consumo, muitas vezes criamos inúmeras necessidades desnecessárias que nem sempre podemos desfrutar, ora, essa igualdade que é pregada incomoda muita gente, não é à toa que capitalistas vivem falando mal de Cuba por exemplo que tem um regime socialista, ao entrevistarmos um mendigo pelas ruas ou alguém que vive em inúmeras dificuldades com certeza não farão o mesmo.

Ao verificarmos o lado humano de alguns moradores de favelas, levando em consideração a psicologia, o meio em que são criados e o massacre desse sistema excludente começamos à perceber o porque de inúmeras revoltas e conflitos sociais que tem se acentuado à cada dia.

O papel dos pensadores, profissionais principalmente relacionados às Ciências Sociais como os geógrafos por exemplo, tem um papel muito importante no que diz respeito à formar mentes críticas, aprendendo sempre à enxergar além daquilo que é o real aparente pois de nada adiantaria grandes estudos científicos se esses não fossem em prol da sociedade, seria algo em vão, a emergência de uma revolução é algo urgente pois ao que tudo indica, nas próximas décadas todo esse sistema tende à entrar em um colápso, como uma cobra que pica a sua própria calda, somente assim, com muito esforço poderemos alcançar o modelo de mundo como era e deveria ser e uma outra globalização.

Grande Beijo e pensem nisto

Luciano Costa

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